450 ONGs lançam coalizão contra acordo UE-Mercosul

15/03/2021



Um grupo de 450 organizações da sociedade civil lançará nesta segunda-feira uma “coalizão transatlântica contra o acordo UE-Mercosul”, ilustrando a crescente mobilização contra o tratado na Europa.

“Não ao Acordo UE-Mercosul” resume o movimento que já conseguiu 2,120 milhões de assinaturas pedindo aos governos dos dois lados do Oceano Atlântico para interromperem as tratativas para o acordo.

A mobilização coincide com o início de discussões dentro da União Europeia (UE) para elaborar uma proposta de compromissos adicionais que o Mercosul deveria assumir na área ambiental, para destravar o processo de ratificação do tratado.

Como notam certos observadores, sempre que o tom sobe a favor do acordo, a reação vem imediatamente do lado de ambientalistas e do agronegócio protecionista.

Em comunicado, as 450 ONGs argumentam que o acordo UE-Mercosul “pertence a um modelo comercial do século XX, ultrapassado e que se provou inadequado para o planeta” e que estaria em oposição direta à ação climática, à soberania alimentar e à defesa dos direitos humanos e do bem-estar animal.

As organizações contrárias ao acordo consideram que o tratado “incentivará ainda mais a destruição e o colapso da biodiversidade da Amazônia, do Cerrado e do Gran Chaco devido à expansão das cotas pecuárias e de etanol”.

E que, “visando comercializar commodities agrícolas por carros poluentes, o acordo representa uma ameaça iminente aos empregos industriais nos países do Mercosul, perpetua o caminho de dependência das economias sul-americanas como exportadoras baratas de matérias-primas, que por sua vez são obtidas por meio da destruição de recursos naturais vitais”.

As ONGs ignoraram o anúncio do governo Bolsonaro de que teria havido queda de 34% no desmatamento na Amazônia em fevereiro, ilustrando a pouca credibilidade nas mensagens do governo brasileiro.(do Valor Econômico)