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Ação da Tarpon rendeu mais do que os investimentos em fundos

15/02/2019

Ação da Tarpon rendeu mais do que os investimentos em fundos


A gestora Tarpon está encerrando seu ciclo como empresa aberta, em meio à mudança de estratégia e modelo de negócio.

Uma de apenas duas gestoras listadas na bolsa brasileira, a companhia prepara sua oferta pública de aquisição (OPA) para fechar o capital, a um preço de R$ 1,09 por ação. Isso significa um retorno baixo para o acionista que se manteve no capital da companhia - mas, no acumulado, foi melhor do que ter investido como cotista em fundos da casa.

Em 2007, a Tarpon fez uma oferta pública inicial de ações (IPO) de uma de suas subsidiárias, a TIG, por R$ 22 a ação. Dois anos depois, o grupo fez uma reestruturação, para que a listada fosse a empresa de prestação de serviço, a TISA.

O acionista da TIG recebeu de volta R$ 18,23 e ação da TISA -- quem continuou nesse papel, recebendo proventos e considerando inclusive os dividendos que serão distribuídos no fechamento de capital, totalizou R$ 29,80 no total. O retorno, portanto, foi de 35%. Mas considerada a inflação no período, esse investidor teria que ter recebido R$ 42 para manter o valor de seu capital.

Já quem comprou ações da companhia quando ela era TISA, em 2009, obteve um retorno superior ao do Ibovespa. Do início da negociação até quarta, o rendimento foi de 130%, em um período em que o Ibovespa rendeu 85%, conforme levantamento da empresa de informações financeiras Economatica.

Foi melhor do que o desempenho da outra gestora listada, a GP Investimentos, que acumula perda de 33% desde o IPO, em 2006, já com ajuste de proventos.

Em seus fundos de investimento, o retorno para o cotista foi diferente conforme cada fase em que entrou, quando saiu e o tamanho da exposição a determinados ativos no fundo em que estava.

Porém, no acumulado desde o início, em 2011, a estratégia dos chamados fundos híbridos (com perfil de private equity) teve retorno anualizado líquido histórico negativo de 0,58%, em reais. O fundo em dólares, estruturado em 2006, rendeu em termos anualizados 0,26%.

Já a estratégia do portfólio de ações (conhecida como "long only equity") teve rentabilidade bem superior. O retorno histórico anualizado, já líquido de taxas e despesas, foi de 17,1% desde o início, em 2002. Em dólares, o rendimento foi de 14,9% ao ano.

Nas carteiras com perfil de investimento de longo prazo, o retorno foi impactado nos últimos anos pelo desempenho das ações da BRF, que caíram e tinham elevada concentração no portfólio da Tarpon -- e levaram a uma onda de resgates.

Outros cotistas, que fizeram saques em períodos anteriores, tiveram retornos superiores. Por outro lado, a Tarpon deu uma grande tacada na Somos Educação, comprada por R$ 1,75 bilhão e vendida por R$ 4,75 bilhões.

Também teve desempenho positivo em Cremer. "Esse comparativo de rentabilidades entre ação e fundos é muito complexo, dado que tem prazo e efeito diferente para cada investidor", afirma um executivo ligado à gestora.

Agora, a Tarpon vai focar suas atividades em fundos líquidos de ações e também investir em novas gestoras e portfólios que buscam a "nova economia" -- um fundo com esse propósito já está sendo estruturado por Pedro Faria, que foi um dos sócios-fundadores da Tarpon, que será sócia na empreitada. A gestora permanece ainda no capital da geradora de energia Ômega.

Além do peso negativo do desempenho e dos resgates sobre os negócios, ser uma empresa aberta deixou de fazer sentido para a Tarpon. Seguindo a GP, a gestora abriu capital para ter recursos proprietários em seus fundos -- estratégia que era fundamental para atrair a confiança de outros investidores. Por isso sua captação foi primária. Na empresa que seguiu listada, era apenas uma divisão das receitas de serviços e, para os sócios, deixou de fazer sentido esse custo.

Para alguns gestores, a experiência da Tarpon serve de referência para as assets que pretendem vir ao mercado neste ano, como a Caixa DTVM. Essa operação seria basicamente secundária, já que não há necessidade de capital proprietário.

"Então ela é basicamente para capitalizar o acionista e dividir as receitas, o que não faz muito sentido", diz um executivo do setor.

A Tarpon fechou o ano de 2018 com uma receita operacional de R$ 129,5 milhões e lucro de R$ 56,2 milhões, crescimento de 496% graças ao aumento de taxas de performance pela conclusão das etapas de venda da Somos. No quarto trimestre, houve pagamento de R$ 3,5 bilhões em resgates. (do Valor Econômico)





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