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Acionistas têm maior ganho com lucros desde o ano de 2010

30/07/2018

Acionistas têm maior ganho com lucros desde o ano de 2010


Depois de um período de vacas magras, as empresas brasileiras mostraram alguma reação no ano passado e encorparam seus lucros –- que neste ano chegam também ao bolso do investidor. Nos últimos 12 meses até julho, a média do ganho dos acionistas com dividendos e juros sobre capital próprio foi a maior desde 2010.

Para especialistas, o bom desempenho deve incentivar os investidores a optarem por “bons pagadores” nas carteiras. Por outro lado, as incertezas diante das eleições deixam turvas as perspectivas para o mercado acionário como um todo.

Segundo levantamento da consultoria Economática, as empresas brasileiras listadas em Bolsa distribuíram no último ano, em média, um montante equivalente a 3,45% do valor das ações das companhias.

Essa relação é o chamado dividend yield, que considera tanto os dividendos -– parte do lucro distribuído aos acionistas -– , como os juros sobre capital próprio, que são similares, mas tributados em 15% e lançados pela empresa como despesa. Considerando somente os dividendos, o porcentual foi de 2,39% – o melhor resultado para o mercado desde o ano de 2014, início da crise econômica.

O resultado positivo de 2018, segundo Einar Rivero, gerente de relacionamento institucional da consultoria, é reflexo da boa lucratividade das empresas no ano passado, que ajustaram custos e arrumaram a casa no período de recessão. Em 2017, as 251 empresas de capital aberto analisadas pela Economática distribuíram a seus acionistas R$ 79,63 bilhões –- volume 13,31% superior a 2016 e o maior desde 2014.

Por lei, as empresas precisam distribuir uma parcela mínima de 25% do lucro para os acionistas. No entanto, muitas das melhores pagadoras -– um grupo que inclui sobretudo empresas de energia e instituições financeiras –- adotam políticas próprias mais atraentes.

O Itaú Unibanco, por exemplo, paga pelo menos 35% do lucro. Neste ano, no entanto, aprovou o pagamento de um “superdividendo” de 70,6% do lucro anual da companhia em 2017 (R$ 17,6 bilhões) -– o maior montante já distribuído em um ano por uma empresa brasileira de capital aberto.

Além dos setores que se destacam por proventos mais generosos, há surpresas. Apesar de as companhias de construção normalmente não serem grandes pagadoras, a Eztec foi a empresa com melhor pagamento, segundo a Economatica.

Em 12 meses até 24 de julho, o dividend yield  da companhia foi de 16,03% –- uma taxa bem maior do que o segundo colocado, a Copasa, com 10,97%. “A Eztec teve uma margem líquida muito alta e uma geração de caixa da operação que em 12 meses equivaleu a quase 80% da receita”, observa Marcos Piellusch, professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Incertezas. Se, por um lado, a maior distribuição de dividendos é uma boa notícia para o investidor, também revela que ainda há incerteza por parte das empresas -– o que se agrava com o cenário eleitoral. “As companhias pagam como dividendos uma quantia que não vão utilizar para investir. Isto pode demonstrar falta de confiança na economia”, afirma Piellusch.

No entanto, caso o empresariado volte de fato a investir nos próximos meses, o acionista também pode se beneficiar, além dos dividendos, com a valorização das ações, já que, atualmente, a Bolsa está extremamente volátil, dadas as turbulências do cenário interno e externo.

Já o economista-chefe da ModalMais, Álvaro Bandeira, acredita que, independentemente do que acontecer com o mercado acionário, os bons pagadores de dividendos devem retornar de forma significativa à carteira dos brasileiros.

“Com um dividend yield de 6% a 7% ao ano, na pior das hipóteses, o investidor teria uma remuneração similar a uma aplicação de renda fixa – e ainda tem a oportunidade de ganhar com a valorização da ação”, observa. Ele aconselha que o investidor escolha empresas mais maduras, com uma política de dividendos bem definida. (de O Estado de S. Paulo)





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