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Ambos de olho em 2022, Doria e Maia se alinham politicamente

17/04/2019

Ambos de olho em 2022, Doria e Maia se alinham politicamente


De olho na eleição presidencial de 2022, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estão se aproximando. Segundo interlocutores de ambos, já há uma plataforma comum e um desenho de apoios e alianças.

Doria tem encontrado Maia com assiduidade, seja em Brasília ou em São Paulo. Seus discursos demonstram convergência. Os dois defendem a reforma da Previdência e demarcam distância do presidente Jair Bolsonaro. O vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) é presença frequente nesses encontros.

Se publicamente Maia tem evitado criticar Bolsonaro, buscando tom mais ameno ao se referir a ele em palestras e entrevistas, nos bastidores o presidente da Câmara enfatiza as deficiências de articulação do presidente e de seu entorno político. Dessas críticas, poupa apenas o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Na segunda-feira, durante jantar promovido pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), em São Paulo, Maia fez críticas a Bolsonaro e chamou a atenção para o fato de o presidente manter pouca disposição para ouvir.

Segundo duas pessoas que participaram do jantar, Maia enfatizou que Bolsonaro não é favorável à reforma da Previdência e que ainda está muito preso a seu passado recente de parlamentar defensor de corporações e pautas de setores específicos, como policiais, militares e aposentados do serviço público.

Mais cedo, também na noite de segunda, Maia já dissera em entrevista coletiva que entendia que Bolsonaro estava se esforçando para compreender e aceitar a necessidade da reforma -- apesar de ser historicamente contra todas as propostas que sugeriram alterações na Previdência.

No jantar, no entanto, Maia subiu o tom nas críticas e chamou a atenção dos empresários presentes para o fato de, na hipótese de a reforma da Previdência ser aprovada, estar automaticamente habilitada a candidatura Bolsonaro à reeleição presidencial.

Na avaliação de um empresário que participou do jantar, Maia pareceu preocupado em alertar sobre o risco de Bolsonaro ser reeleito e receber, sozinho, os louros da aprovação popular por uma reforma pela qual sequer se empenhou em encaminhar.

Maia também enfatizou a necessidade de o ocupante da presidência da República ter habilidade de dialogar com setores diversos e compor com os outros poderes e instituições, de acordo com o relato dessa fonte.

Doria chegou ao jantar quase no fim. O governador havia participado da gravação do programa de entrevistas 'Roda Viva', na TV Cultura, e se atrasou. Ele foi ao encontro de Maia acompanhado pelo vice-governador.

Com a chegada de Doria, os empresários se acomodaram ao redor do governador e retomaram alguns temas já tratados, como a Previdência e a gestão Bolsonaro.

Segundo uma das fontes ouvidas pela reportagem, enquanto Maia pontuava as dificuldades do governo Bolsonaro, em tom crítico, o governador João Doria assentia balançando a cabeça. A conversa enveredou para a segurança pública, fator de intranquilidade permanente dos empresários. (do Valor Econômico)





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