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Ameaça de ataque dos EUA gera receio nos mercados globais

11/04/2018

Ameaça de ataque dos EUA gera receio nos mercados globais


Investidores de todo o mundo operam sob tensão nesta quarta-feira, reagindo ao tuíte do presidente americano Donald Trump, no qual pede que a Rússia se prepare para um ataque dos EUA contra a Síria após suposto uso de armas químicas naquele país.

As Bolsas europeias e os índice futuros de Wall Street operam no vermelho, enquanto os investidores buscam refúgio em títulos do Tesouro americano, no ouro e no iene japonês. O rublo russo, por sua vez, estende sua queda contra o dólar na semana a 10%, superando a desvalorização ocorrida durante a anexação da Crimeia em 2014.

A Rússia é a principal aliada do governo sírio na guerra contra forças rebeldes. Sua relação diplomática com os EUA já havia gerado repercussões no mercado financeiro nesta semana, depois que os americanos anunciaram sanções contra 14 instituições e 24 indivíduos — sete empresários e 17 autoridades do governo russo — russos sob alegação de participarem de “atividades malignas” para subverter democracias ocidentais.

Trump tem sido pressionado para adotar postura mais dura contra o presidente russo Vladimir Putin, em relação ao qual Trump sempre se mostrou relutante em criticar — conduta inédita para um Republicano. Trump e sua campanha estão sendo investigados a respeito de relações aparentemente promíscuas com oligarcas e autoridades russos.

O índice Euro Stoxx 50, referência para as ações da zona do euro, cai 0,69%. A Bolsa de Londres recua 0,11%; a de Paris, 0,72%; em Frankfurt, as perdas são de 0,97%, e em Madri, de 0,43%.

Os ativos russos sentem com intensidade ainda maior a turbulência. O rublo caiu até 2,3% contra o dólar, para o menor valor em 16 meses; o retorno exigido pelos investidores dos papéis russos alcançou, por sua vez, o maior nível desde novembro; e o risco-país da Rússia subiu ao patamar mais elevado desde agosto. A Bolsa russa, porém, tem pregão volátil, após a queda de 8,3% na segunda-feira em reação a sansões dos EUA.

O ouro, considerado um porto seguro em momentos de grande volatilidade, avançou 0,8%, a US$ 1.349,60 a onça.

“Há risco de que a situação na Síria vai escalar para um conflito militar maior, e é isso que está impactando”, disse Peter Cardillo, economista-chefe da Spartan Capital Securities, uma corretora de Nova York.

A Rússia alertou que vai derrubar qualquer míssil dos EUA lançado contra a Síria devido a um suposto ataque químico no sábado, na cidade de Douma, último reduto rebelde da região de Ghouta Oriental, subúrbio de Damasco. Ali, o regime do presidente Bashar al-Assad vinha implementando uma ofensiva para reconquistar o território. Após a ameaça russa, Trump disse no Twitter para os russos se prepararem para ataques.

“A Rússia promete derrubar qualquer míssil lançado contra a Síria. Prepare-se, Rússia, pois eles estarão vindo, bons e novos e inteligentes. Você não deveria ser parceira de um Animal Assassino com Gás (tóxico) que mata seu povo e gosta!”, ameaçou Trump, em referência ao presidente sírio Bashar al-Assad, acusado de ser o responsável pelo suposto ataque em Douma.

Na China, cujas Bolsas fecharam antes do tuíte de Donald Trump, os mercados acionários avançaram, com o mercado recebendo bem a promessa de Pequim de abrir mais o setor financeiro do país a investidores estrangeiros, e com as preocupações sobre uma guerra comercial com os EUA mostrando sinais de abrandamento.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,29%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,56%.

Os ganhos foram liderados pelas empresas dos setores bancário e imobiliário. A China estabeleceu hoje cronograma mais claro para abrir seu setor financeiro a mais investimentos estrangeiros até o fim de 2018, enquanto Pequim tenta se defender das crescentes críticas dos EUA e de outros países de que limita injustamente a concorrência. (de O Globo)





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