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Apesar do acordo, caminhoneiros mantêm paralisação no país

25/05/2018

Apesar do acordo, caminhoneiros mantêm paralisação no país


Mesmo após o governo anunciar um acordo com algumas entidades de caminhoneiros, os protestos contra o diesel caro prosseguem nesta sexta-feira em 24 Estados do país. A Polícia Rodoviária Federal informou que ainda não registra nenhuma desmobilização nas rodovias do país.

No quinto dia de manifestações, há caminhões parados no Amapá, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Em São Paulo, a situação mais complicada nas rodovias está na Régis Bittencourt, onde carretas e caminhões permanecem estacionadas ao longo da rodovia. O mesmo ocorre no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No Distrito Federal, a PRF registra manifestação de caminhoneiros na BR-020, BR-060, BR-070 e BR-080.

As manifestações ganharam apoio de outras categorias, como motoristas de vans escolares, em São Paulo, e de caçambeiros, no Mato Grosso do Sul.

Reflexos. A paralisação dos caminhoneiros acentua seus reflexos na economia. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que, a partir desta sexta-feira, todas as linhas de produção instaladas no Brasil estão paradas. A indústria automobilística gera de impostos mais de R$ 250 milhões por dia e, por isso, a paralisação terá forte impacto na arrecadação do país.

O Aeroporto de Brasília avisou que acabou sua reserva de combustível e há vários postos secos no Rio de Janeiro. Em Brasília, houve até tumulto em fila para abastecer. Em São Paulo, assim como em outras cidades, a prefeitura estendeu o esquema especial para a frota de ônibus. Além disso, está suspenso o rodízio municipal.

Ontem, no quarto dia da greve, aumentou o número de empresas paralisadas total ou parcialmente em consequência do protesto A falta de matérias-primas começou a atingir setores importantes da indústria, como celulose e química. O desabastecimento de ração ameaça a criação de aves e suínos e a exportação de açúcar e etanol já está prejudicada. No comércio, há escassez de alimentos e gasolina e etanol.

Há ainda impacto nos estoques de suprimentos hospitalares. Em Santos, a vacinação contra Influenza A foi suspensa. No Sul do país, cinco hospitais cancelaram cirurgias e nove correm risco de desabastecimento.

Sem trégua. Os protestos prosseguem mesmo depois de o governo ter anunciado na quinta-feira que obteve uma trégua de 15 dias com os caminhoneiros após garantir por 30 dias o tempo de congelamento com 10% de desconto no preço do óleo diesel, com o Tesouro bancando o subsídio para a Petrobras.

O Palácio do Planalto também aceitou estabelecer uma política de periodicidade mensal de reajustes do combustível, com os eventuais impactos econômicos causados pelo não reajuste diário na Petrobras, também sendo bancados pelo Tesouro Nacional.

Depois da divulgação do acordo do governo e algumas entidades da categoria, caminhoneiros autônomos parados disseram que não iriam suspender a paralisação. O presidente da Confederação Nacional de Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, disse que a categoria é que vai analisar se o acordo "é suficiente ou não".

Ainda na noite de quinta-feira, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) avisou, por sua vez, que não assinou nenhum acordo e não concorda com o eventual fim da paralisação. Da mesma forma, a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) e a Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas (Sinditac) defenderam a continuidade das manifestações.

Em meio à crise disparada pela alta dos preços dos combustíveis, senadores atacaram o presidente da Petrobras, Pedro Parente, pedindo a sua demissão. O presidente Michel Temer, entretanto, vem articulando o tempo todo uma solução para a crise com o executivo. E, até o início da noite de ontem, não cogitava retirá-lo do posto. (do Valor Econômico)





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