BLOG

Apostas são de que Selic cai agora para só subir em 2019

19/03/2018

Apostas são de que Selic cai agora para só subir em 2019


O Banco Central deve concluir o ciclo de alívio monetário na reunião do Copom desta semana, nos dias 20 e 21, com a taxa Selic em 6,50% ao ano. E uma nova alta dos juros só deve acontecer a partir do segundo trimestre de 2019, quando um novo governo já tiver assumido.

Esta é a leitura da maioria dos economistas ouvidos pelo Valor Econômico, que veem na grande ociosidade da economia a principal razão para acreditar que o juro poderá ficar em níveis tão baixos por ainda muitos meses.

Dos 40 entrevistados, apenas cinco acreditam que a taxa Selic vai ficar inalterada em 6,75% nesta semana, conforme a última ata do Copom chegou a sinalizar.

No comunicado da decisão, o BC afirmou que o "mais adequado" seria encerrar o ciclo. Mas a maioria -- 35 analistas -- entende que as recentes surpresas com a inflação, mais baixa do que o esperado, justificam um corte adicional. Essa visão foi reforçada no começo de março, quando o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reconheceu que a instituição também se surpreendeu com o resultado dos indicadores recentes.

Em janeiro, o IPCA subiu 0,29%, bem abaixo da média das estimativas, de 0,41%. E, em fevereiro, avançou 0,32%, em linha com as estimativas, mas com núcleos ainda muito bem comportados. Há oito meses consecutivos a inflação está abaixo do piso de 3% da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional.

"A inflação persistentemente baixa reflete, entre outros motivos, a elevada ociosidade que tem ajudado a conter principalmente a inflação de serviços. Esse cenário está relativamente dentro do esperado. Conforme a queda dos juros for sendo absorvida, a atividade vai ganhando velocidade. A recessão foi muito profunda e há muita incerteza política ainda. Esses fatores ajudam a explicar a gradualidade da retomada", explica Luiz Fernando Castelli, economista-chefe da GO Consultores.

Com este ambiente benigno, duas casas -- Fator e Acrefi -- acreditam que haverá, depois de março, mais duas novas reduções, levando a taxa para 6% até dezembro. Mas o que os indicadores de inflação sistematicamente mais baixos causam também é uma revisão a respeito da normalização da política monetária. E, para boa parte dos especialistas consultados, esse momento só ocorrerá bem depois da eleição presidencial. Apenas três casas -- Gradual, Ativa e MacroSector -- acreditam que a Selic volte a subir em 2018.

"Em nosso cenário central, entendemos que o BC deve encerrar o ciclo em 6,5%. Mas é possível discutir quedas adicionais", afirma Igor Velecico, economista do Bradesco.

Para ele, o balanço de riscos está "ligeiramente favorável": tanto os dados correntes de inflação e os reajustes salariais têm surpreendido para baixo, como a recuperação da atividade ocorre de maneira gradual. "O quadro de retomada gradual, com elevada ociosidade, tem contribuído para uma descompressão adicional dos preços."

Para o economista da Modal Asset Management, Daniel Silva, a atividade fraca ajuda a explicar a inflação persistentemente baixa ao contribuir para que a redução da ociosidade da economia aconteça mais lentamente do que o esperado. "Com as expectativas de inflação ancoradas, a inflação continua muito baixa", afirma.

Uma recessão de caráter inédito gera também reações diferentes das usuais. E isso explica a inflação muito baixa, na visão do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. E, agora, a deflação dos alimentos e um Banco Central "crível" contribuem para essa situação. "O teste de fogo será o próximo governo: ele manterá as boas práticas na condução da política monetária?", questiona.

Na contramão da maior parte dos economistas, André Perfeito, da Gradual Investimentos, acredita que, já em outubro, o Banco Central terá que subir os juros. Esse cenário leva em consideração a hipótese de que as eleições devem ser vencidas por um candidato que não seja pró-reformas tal qual o mercado deseja. E também que os mercados internacionais podem passar por uma realização de lucros no fim deste ano.

Já o economista Fábio Silveira, sócio da MacroSector, considera que, se os juros reais excessivamente elevados do biênio 2016-2017 acentuaram o ciclo recessivo, ampliando os estragos em termos de redução do produto e emprego, a atual retomada do crescimento econômico é compatível com os juros reais praticados há cerca de seis meses, em torno de 3% ao ano.

Isso significa que, no terceiro trimestre, a economia estará crescendo mais do que atualmente, sob efeito desse juro real praticado hoje, em torno de 2% ao ano. (do Valor Econômico)





Cursos