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Aprovado projeto que dá isenção fiscal para as transportadoras

21/06/2018

Aprovado projeto que dá isenção fiscal para as transportadoras


Em meio às polêmicas sobre a bolsa caminhoneiro, a Câmara dos Deputados aprovou ontem uma série de medidas que beneficiam principalmente as transportadoras.

O projeto permite que o setor de transporte pague menos impostos e prevê até alíquota zero em tributos como IPI e PIS/Cofins para a renovação da frota de caminhões. O texto ainda precisa passar pelo Senado.

A aprovação do projeto na Câmara teve apoio inclusive de integrantes da base aliada e ocorre num momento em que a equipe econômica ainda precisa lidar com a pressão de grupos econômicos, que acabaram pagando parte da conta do bolsa caminhoneiro, que soma R$ 13,5 bilhões.

O setor de refrigerantes e o de indústria química, por exemplo, tiveram incentivos reduzidos pelo governo e brigam para restabelecer esses benefícios.

A Receita Federal ainda está calculando os impactos potenciais do projeto. O governo vai trabalhar para derrubar no Senado as iniciativas que tenham impacto fiscal.

“O governo não tem sobra de recursos no Orçamento para conceder mais recursos aos caminhoneiros”, diz o economista Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria. “Isso implica que outros setores ou a sociedade como um todo banquem esses incentivos.”

O relator do projeto, Nelson Marquezelli (PTB-SP), minimizou os possíveis efeitos fiscais das medidas. O deputado é dono de uma transportadora que distribui produtos da Ambev. Marquezelli nega conflito de interesses e diz que a empresa hoje pertence aos filhos, embora ainda se refira a ela como se fosse proprietário. “Eu tenho uma revenda... eu tive uma revenda que é uma das três maiores da Ambev”, disse.

O texto aprovado ontem na Câmara prevê a criação de um plano nacional de renovação da frota de caminhões, com financiamentos em condições diferenciadas, como juros menores e prazos mais longos. As empresas que aderirem ainda serão agraciadas com a redução das alíquotas de PIS/Cofins e IPI sobre os caminhões novos a zero.

Marquezelli evitou fazer cálculos da renúncia fiscal e disse que a redução da alíquota é “apenas uma sugestão” ao governo. Segundo ele, o setor estima uma taxa de renovação de 10% a 12% ao ano com esse projeto.

O texto ainda retira o valor dos pedágios da base de cálculo do PIS/Cofins. Outro artigo isenta o valor pago em vale-pedágio de qualquer incidência de tributo. Pelo texto, há ainda a possibilidade de as empresas usarem o valor pago em pedágios para abater Imposto de renda.

O projeto ainda converte multas emitidas pela ANTT a caminhoneiros que fugiram da fiscalização até a data da publicação da lei em advertências. Na avaliação de consultores, esse artigo pode gerar cobrança dos caminhoneiros à União para que sejam restituídos valores de multas já pagos.

Ele ainda disse que o setor de transporte rodoviário de cargas não deveria receber tantos benefícios porque é causador de efeitos negativos à população, como poluição e trânsito.

Sem impacto fiscal, o projeto ainda amplia a pontuação máxima na carteira de motorista dos caminhoneiros de 20 para 40 pontos – exceto quando houver infrações graves ou gravíssimas.(de O Estado de S. Paulo )





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