BLOG

Bancos privados avançam no mercado de crédito imobiliário

02/05/2018

Bancos privados avançam no mercado de crédito imobiliário


O início deste ano colocou os bancos privados numa inédita dianteira no financiamento imobiliário. Bradesco e Santander lideraram o volume de contratações feitas até março, fruto de medidas que adotaram para crescer na área e do recuo estratégico da Caixa, até então um primeiro colocado inabalável.

As duas instituições de controle privado responderam por quase metade do crédito imobiliário com recursos da poupança no primeiro trimestre. Incluindo na conta o Itaú Unibanco, quarto colocado, a fatia sobe para dois terços do total.

A Caixa representou 19,5% das contratações -- bem abaixo dos 42,6% que fez no mesmo período de 2017. A instituição continua à frente do mercado se somadas as operações com funding do FGTS, das quais detém praticamente o monopólio.

O banco estatal pisou no freio enquanto tentava equacionar sua posição de capital. Em abril, com essa questão resolvida, a Caixa mostrou que deve voltar à carga ao anunciar uma redução de taxas para o crédito com recursos da poupança -- que a aproximou dos concorrentes.

Porém, o mercado que a Caixa encontrará em sua retomada é maior e com bancos mais competitivos do que há um ano. As instituições privadas se posicionaram para aproveitar uma incipiente retomada no setor imobiliário após o período desastroso da crise.

"A competição vai aumentar, mas a demanda também vai", diz Fabrizio Ianelli, superintendente-executivo do Santander.

O volume de financiamentos para aquisição e construção de imóveis somou R$ 11,189 bilhões no primeiro trimestre, um avanço de 11,2% ante igual período de 2017, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

"Desde os últimos meses do ano passado, o mercado voltou a dar sinais positivos. A velocidade ainda é cadenciada, mas está aumentando", afirma Leandro José Diniz, diretor de empréstimos e financiamentos do Bradesco. No banco, a oferta de financiamento imobiliário de janeiro a março cresceu 50% se comparada ao último trimestre de 2017, para R$ 3 bilhões.

Com a taxa Selic na mínima histórica, estabilidade econômica e indicadores de emprego começando a melhor, a tendência é que surja um ambiente promissor para as vendas de imóveis. Some-se a isso a disposição dos grandes bancos em priorizar operações com clientes pessoa física, especialmente aquelas com taxas melhores e prazos maiores.

Para se posicionar, os bancos têm apostado em duas frentes. Uma delas é a redução de taxas, impulsionada pela Selic mais baixa. O movimento foi encabeçado pelo Santander, que em julho deflagrou uma primeira rodada de cortes e na semana passada anunciou nova queda, desta vez para 8,99% ao ano nas operações do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Após reduções, o Bradesco trabalha agora com taxas a partir de 8,5%, e o Itaú, de 9% ao ano.

Com o corte anunciado no mês passado, a Caixa se aproximou dos demais, passando a cobrar a partir de 9% ao ano no SFH e 10% ao ano no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Nos dois casos, a queda foi de 1,25 ponto percentual.

A competição, entretanto, não tem sido apenas em preço. Em outra frente, os bancos privados vêm investindo na digitalização e têm apontado esse como um fator cada vez mais importante para a atração de negócios.

Na mesma época em que iniciou a redução de taxas, o Santander lançou um serviço que permite aos clientes fazer de forma eletrônica, no internet banking ou no celular, todo o processo de contratação de crédito imobiliário. "A procura quadruplicou desde então", diz Ianelli.

A estratégia levou o Santander à primeira colocação do ranking de financiamento à compra de imóveis. O banco está perto do objetivo de propor cerca de R$ 1 bilhão por mês em crédito imobiliário para pessoa física, disse o presidente da instituição, Sergio Rial, em entrevista na semana passada.

O Bradesco já tem aprovação de crédito por internet ou celulares e vai oferecer a contratação completa no segundo semestre, afirma Diniz. Segundo ele, de 5 mil cotações recebidas pelo banco a cada mês, hoje 10% são digitais, mas essa fatia é crescente.

No Itaú, é possível fazer até a emissão do contrato pelo internet banking. Os clientes conseguem simular o financiamento por meio dos aparelhos móveis. "Estamos trabalhando no aplicativo", afirma Cristiane Magalhães, diretora da instituição.

Embora esteja mais comedido na digitalização e nos cortes de taxas, o Itaú aumentou seu apetite por crédito imobiliário ao subir de 75% para 82% o volume financiável de uma operação. O Bradesco se manteve em 80%.

A Caixa, que chegou a recuar para 50% o limite de cota de financiamento do imóvel usado, elevou o patamar para 70% no mês passado. Na ocasião, o novo presidente da instituição, Nelson de Souza, disse que as medidas contribuem para estimular o mercado imobiliário. Procurado, o banco não concedeu entrevista.

Os bancos admitem que a recuperação da Caixa desafia a posição recém-conquistada por eles, mas dizem que vão manter o reforço na concorrência. "A gente subiu de degrau. A luta agora é para segurar essa posição", afirma Diniz, do Bradesco. (do Valor Econômico)





Cursos