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BC cortará juros mais uma vez e, em seguida, dará um tempo

27/03/2018

BC cortará juros mais uma vez e, em seguida, dará um tempo


Os diretores do Banco Central chegaram à conclusão de aumentar o número de cortes nos juros básicos da economia. Viram que a inflação caiu tanto -- e estava mais difícil que voltasse a subir para a meta -- e que as expectativas dos analistas para o índice oficial não param de diminuir.

Assim, prometeu que cortará a taxa Selic ainda mais uma vez, mas depois quer um tempo para avaliar o trabalho feito até aqui. Por isso, os juros devem ficar estáveis por um bom período. É o que diz a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada nesta terça-feira. Na semana passada, caiu de 6,75% ao ano para 6,5% ao ano, para o menor patamar da Selic na História.

Para o comitê, o corte feito diminui o risco de a inflação demorar a subir e voltar para os objetivos. Já o anúncio de um novo corte na próxima reunião do Copom deve fazer, na visão do BC, os economistas começarem a revisar as estimativas de inflação para cima, como quer a autoridade monetária.

“Tendo em vista o princípio que norteia sua condução da política monetária, de destacar condicionantes que julga importantes, o Comitê decidiu também comunicar que essa visão para a próxima reunião poderá se alterar e levar à interrupção do processo de flexibilização monetária, no caso dessa diminuição de riscos se mostrar desnecessária”, avisou o BC.

Segundo a ata, o grande debate foi o que fazer depois da próxima reunião, já que decisões tomadas a partir dali só terão impacto em 2019, quando os economistas preveem que a inflação deve ficar em 4,1%.

A meta para o ano que vem é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Como está perto do objetivo, o Copom concluiu que deve ser apropriado interromper o processo de queda dos juros que começou em 2016.

“Dados os riscos que a economia enfrenta e a incerteza quanto às defasagens na transmissão da política monetária, o Comitê julga que pode precisar de algum tempo para avaliar a evolução da economia e sua reação aos estímulos monetários já implementados, tendo em vista o horizonte relevante naquele momento”, falaram os diretores em ata.

O documento mostra ainda que houve uma discussão sobre como comunicar à sociedade essa decisão de que o BC quer um tempo para avaliar o trabalho. Alguns membros queriam dizer que será necessário aguardar algumas reuniões do Copom até ter informação suficiente para avaliar o comportamento da economia. Outros, simplesmente, acharam que não era preciso fazer esse tipo de sinalização.

“Ao final, os membros do Copom concluíram por comunicar que, para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária, visando avaliar os próximos passos”, disse a ata.

Quando a atual diretoria assumiu após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a taxa básica de juros estava em 14,25% ao ano e a inflação tinha encerrado o ano anterior na casa de 11%. Na época, o presidente Ilan Goldfajn sofreu ataques por não começar a reduzir os juros imediatamente porque a crise econômica já era grave. A decisão era aguardar até que as expectativas de inflação caíssem. Agora, o caminho é o oposto.

Com a inflação em 2,8% nos últimos 12 meses, o BC tem de estimular a economia. Desde outubro de 2016, começou a cortar os juros. Chegou a sinalizar que pararia em 7% ao ano e caminha para colocar a Selic na mínima histórica de 6,25% ao ano. E prometeu repetir o que fez em 2016: ficar parado até o mercado financeiro mexer as expectativas. Desta vez, quer que os analistas parem de diminuir a previsão para a inflação.

Volta ao crescimento. Os membros do Copom discutiram a retomada do crescimento econômico. A ata conta que um deles chegou a lembrar que houve sinais de pequeno arrefecimento em janeiro. O índice de atividade da autarquia (IBC-Br) mostrou queda de 0,56% no mês. No entanto, os colegas ponderaram que essas oscilações são naturais no atual estágio do processo.

“Todos concluíram que a recuperação da economia apresenta consistência. Nesse contexto, entendem que, à medida que a atividade econômica se recupera, a inflação tende a voltar gradualmente para a meta”, disse o comitê em ata.

“E reiteraram a visão de que, em decorrência dos níveis atuais de ociosidade na economia, revisões marginais na intensidade da recuperação não levariam a revisões materiais na trajetória esperada para a inflação”.

Cenário externo melhor. A ata do Copom ressalta que já surgem sinais de que as condições no mercado de trabalho no exterior começam a melhorar e há alta de salários em algumas economias centrais. Isso significa que há uma perspectiva de retorno das taxas de inflação maiores e, consequentemente, normalização da política de juros.

Na visão dos diretores do BC, as previsões de inflação de preços e salários podem tornar esse processo mais volátil e produzir algum aperto das condições financeiras globais.

Eles ainda reconheceram que aumentaram os riscos associados à continuidade da expansão do comércio internacional por causa de medidas protecionistas. Elas podem ter impactos sobre o crescimento global e a volatilidade das condições financeiras.

Nesse contexto, os membros do Copom ressaltaram que o Brasil está preparado para choques internacionais por causa da situação das contas externas em que os investimentos que chegam são muito maiores que os gastos e pelo ambiente com inflação baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação econômica. (de O Globo)





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