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Bolsa cai com nervosismo local e externo; dólar vai a R$ 4,00

15/05/2019

Bolsa cai com nervosismo local e externo; dólar vai a R$ 4,00


Os mercados brasileiros são tomados nesta quarta-feira por uma sequência de notícias negativas, tanto do campo doméstico quanto do exterior, penalizando os preços dos principais ativos locais. O dólar superou a marca de R$ 4 após a abertura, enquanto o Ibovespa tem forte queda.

As perdas dos ativos brasileiros são ainda mais intensas do que as observadas em boa parte de seus pares globais. O real rivaliza apenas com o peso argentino entre as maiores desvalorizações contra o dólar, numa lista das principais moedas globais.

Já o tombo do Ibovespa é quase o dobro dos índices americanos. Vale dizer que, nas mínimas do dia, o índice brasileiro perdeu quase 2 mil pontos.

Às 11h36, a moeda americana subia 0,72%, aos R$ 4,0046, pouco após registrar máxima de R$ 4,0217. É o maior nível desde os R$ 4,0629 registrados durante o pregão de 1º de outubro. O juro longo para janeiro de 2025, por sua vez, subia de 8,60% no ajuste anterior para 8,590%.

O Ibovespa caía 1,28%, aos 90.911 pontos, depois de tocar 90.295 pontos na mínima -- o índice ronda os menores patamares do ano. O comportamento do índice vinha acompanhado de firmes perdas em ações de ampla liquidez.

Petrobras ON perdia 0,98%, Petrobras PN recuava 0,92% e Ambev ON tinha queda de 1,77%. No setor bancário, Itaú Unibanco PN cedia 0,94%, Bradesco ON caía 1,49% e Bradesco PN recuava 1,52%, enquanto Banco do Brasil ON caía 1,50%.

O nervosismo veio depois da divulgação de dados negativos da China e dos Estados Unidos, mas o movimento foi amplificado aqui por uma piora na sinalização sobre a capacidade de articulação do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Internamente, pesam os temores sobre os efeitos da paralisação dos estudantes contra os cortes na Educação. "A popularidade de Bolsonaro vem caindo e fica a dúvida sobre o reflexo disso na capacidade do governo de aprovar as reformas no Congresso", diz Alessandro Faganello, da Advanced Corretora.

Ontem, o governo deu novo sinal de desarticulação política ao permitir que a oposição e o “centrão” convocassem o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para depor no Congresso em pleno dia de paralisação. A situação ficou ainda mais evidente depois que a Casa Civil desmentiu lideranças partidárias e o próprio líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), de que haviam afirmado mais cedo que Bolsonaro telefonou a Weintraub para pedir a suspensão dos cortes.

“A impressão que fica é de que a Câmara fica desgovernada em um momento de derrota para o governo, com a falta de articulação da equipe em evidência. Acredito que a presença do ministro na Câmara será tão hostil quanto foi a do Guedes para explicar a reforma da Previdência", afirma o analista Thiago Tavares, da Toro Investimentos.

No exterior, o ambiente já é de certa aversão ao risco após os números que saíram entre ontem e hoje. A China divulgou dados aquém da expectativa do mercado para vendas no varejo e produção industrial.

Já os Estados Unidos registraram queda das vendas no varejo e na produção também em abril, na comparação mensal. A maior parte das divisas emergentes recua ante a moeda americana. (do Valor Econômico)





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