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Bolsa de NY recupera parte de perdas; balanços vão decidir

25/10/2018

Bolsa de NY recupera parte de perdas; balanços vão decidir


Os futuros de ações em Nova York recuperam nesta quinta-feira parte do tombo da sessão anterior, quando Wall Street viveu seu pior dia desde 2011.

Uma série de fatores foram levados em conta pelos investidores: receio de desaceleração mais forte da economia global em função da guerra comercial, temor de uma mudança de ciclo após anos seguidos de forte crescimento (especialmente nos Estados Unidos) bem como tensões localizadas no jogo geopolítico, que afetam particularmente e alternadamente países e ativos.

Nestes últimos dias, as preocupações passam pela China, cujos últimos indicadores apontam perda de ímpeto da atividade; pela Itália, em função da perspectiva de aumento do déficit fiscal; pelo Reino Unido, em meio ao Brexit; e pelo imbróglio envolvendo Turquia e Arábia Saudita, com o episódio da morte do jornalista saudita do "Washington Post".

Ontem, o movimento de vendas generalizadas se intensificou bem perto do fechamento, com as ações de tecnologia sendo de novo o alvo. Entretanto, olhando em retrospecto, este segmento foi um dos que mais cresceu nos últimos anos; portanto, não espanta a realização de lucros amplificada por temores macroeconômicos.

Na quarta-feira, o S&P 500 fechou em baixa de 3,09%, o Dow Jones perdeu 2,41% e o Nasdaq afundou 4,43%, entrando em território de correção pela primeira vez em dois anos.

O índice de volatilidade VIX subiu para 25,23, acima da média histórica (20) e voltando ao patamar de fevereiro -– episódio anterior de correção dos mercados. A fuga do risco levou investidores a uma corrida por ativos seguros, como títulos do Tesouro americano, moedas seguras e ouro.

A recuperação parcial de Nova York era esperada para hoje, mas os balanços vão definir o dia, que será o mais movimentado da temporada do terceiro trimestre.

Segundo sites especializados, 66 empresas do S&P 500 e duas do Dow Jones divulgarão os resultados, entre elas Twitter, General Electric (GE), Raytheon, Celgene, a American Airlines e a Southwest Airlines, todas antes da abertura — Amazon, Google Alphabet e Intel reportam seus números após o fechamento.

Ontem, os investidores avaliaram os números da Tesla, Microsoft e Advanced Micro Devices (ADM).

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta quinta-feira por deixar as taxas de juros inalteradas. A maioria das bolsas da região registrava ganhos, com exceção do FTSE 100, de Londres, que operava perto da estabilidade, com viés negativo.

Os ativos seguros continuam sendo alvo de compras hoje. Na renda fixa, os yields dos títulos do Tesouro americano operavam próximos da estabilidade, com o retorno de 10 anos a 3,128%. O ouro tinha leve alta, assim como o petróleo.

Brasil. O tom de recuperação visto no exterior tende a ser sentido no Brasil, mas a sessão doméstica ainda pode ter muita volatilidade, em linha com o comportamento dos mercados globais.

Após a forte correção vista no dia anterior, os mercados brasileiros podem pegar carona no ritmo global das negociações e retomar parte do terreno perdido — os investidores, contudo, seguem atentos ao quadro eleitoral e à temporada de balanços corporativos.

Nesta noite, o Datafolha divulga os resultados de nova pesquisa de intenção de voto para presidente da República. O último levantamento Ibope mostrou Jair Bolsonaro (PSL) com 57% dos votos válidos, contra 43% de Fernando Haddad (PT), indicando também um aumento na taxa de rejeição do militar. Dessa forma, os investidores estarão atentos ao Datafolha em busca de confirmação ou não de tal tendência.

A vantagem expressiva do candidato do PSL, contudo, ainda faz com que os mercados permaneçam tranquilos em relação ao cenário político — e essa perspectiva positiva também pode ajudar os mercados brasileiros a mostrarem alguma recuperação ao longo do dia.

Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 2,62%, aos 83.064 pontos, fortemente influenciado pelo mau desempenho das bolsas americanas. O dólar comercial terminou a sessão passada em alta de 1,24%, a R$ 3,7422.

No front corporativo, atenção para os papéis da Vale: a mineradora fechou o terceiro trimestre de 2018 com lucro líquido de R$ 5,753 bilhões, queda de 19,4% na base anual. Segundo a empresa, o resultado se traduz em remuneração mínima ao acionista de US$ 1,142 bilhão. Vale ON caiu 4,09% no pregão de quarta-feira, a R$ 54,43, acumulando perda de 3,7% na semana.

Já a Ambev viu seu lucro líquido atribuído aos controladores disparar de R$ 136,5 mil no terceiro trimestre de 2017 para R$ 2,89 bilhões no mesmo intervalo do calendário atual. A Via Varejo, por sua vez, reportou prejuízo líquido de R$ 79 milhões entre agosto e outubro deste ano, ante lucro de R$ 46 milhões no mesmo intervalo de 2017. (do Valor Econômico)





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