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Bolsa inicia semana em queda por tensão entre EUA e China

06/05/2019

Bolsa inicia semana em queda por tensão entre EUA e China


O clima desfavorável no exterior motivado pelas tensões comerciais entre Estados Unidos e China também contamina o mercado acionário brasileiro. O desempenho negativo é praticamente generalizado. Das 66 ações, apenas seis subiam às 10h54 desta segunda-feira, 6. O Ibovespa cedia 1,17%, aos 94.883,71 pontos.

O dólar também reagiu à aversão ao risco que predomina nos mercados globais. A moeda americana sobe no exterior, reagindo ao aviso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite deste domingo, de que elevará tarifas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses a partir da próxima sexta-feira. A bolsas de Nova York também caem acima de 1,00.

Refletindo o mesmo contexto dos mercados acionários, o petróleo registra forte baixa, observa em nota o Bradesco. As tensões entre EUA e Irã, que podem gerar alguma escassez da commodity, não são suficientes para conter a baixa nos preços futuros do petróleo, avalia. No mesmo sentido, desfavorecidas pelo dólar mais forte, as metálicas e agrícolas seguem tendência de queda, acrescenta.

No radar local está ainda a previsão de início dos debates da reforma da Previdência na Comissão Especial, marcado para amanhã.

Às 9h34, o dólar à vista subia 0,79%, aos R$ 3,970. O dólar futuro para junho estava em alta de 0,79%, aos R$ 3,9780. No exterior, o índice do dólar (DXY) avançava 0,08% e a moeda americana exibia ganhos generalizados em relação a divisas de países emergentes exportadores de commodities.

Trump voltou ao Twitter para criticar o que considera "injustiças" no comércio internacional. "Os Estados Unidos têm perdido, por muitos anos, US$ 600 a US$ 800 bilhões por ano no comércio. Com a China nós perdemos US$ 500 bilhões", afirmou Trump. "Me desculpem, nós não vamos perder mais!", escreveu.

O porta-voz do governo chinês disse que a delegação do país ainda prepara uma viagem aos Estados Unidos para uma nova rodada de negociações, mas sem falar em data ou se o grupo será liderado pelo vice-premiê Liu He. Uma nova rodada de conversas estava marcada para quarta e quinta-feira, em Washington.

Previdência. Em relação à reforma da Previdência, profissionais do mercado já trabalham com a possibilidade de uma aprovação mais difícil e com menor economia fiscal da reforma, porque o governo tem mostrado falta de articulação política para garantir os votos sem mudança no texto, que prevê ajuste de cerca de R$ 1,2 trilhão em dez anos.

Pesquisas de bancos privados com clientes apontam que cresceu a visão entre os agentes de que essa economia fiscal deve ficar entre R$ 500 bilhões a R$ 750 bilhões. Além disso, a expectativa é de aprovação na Câmara apenas no terceiro trimestre ou mesmo mais tarde.

Além de discordarem de mudanças para a aposentadoria rural, parlamentares do Centrão e da oposição questionam a alteração no Benefício de Prestação Continuada (BPC, o auxílio a idosos miseráveis), a retirada da Constituição das regras de acesso aos benefícios e a introdução do regime de capitalização. Há ainda quem peça mudanças que podem afetar muito mais a reforma e as contas públicas, como retirar a vinculação para Estados e municípios.

O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), defendeu na última sexta-feira, a manutenção dos Estados e municípios na reforma da Previdência desde que os governadores e prefeitos entreguem votos em prol da proposta que está no Congresso.

"Se os governadores e prefeitos quiserem um pedaço do abacaxi, vão ter que ajudar a descascar", disse o parlamentar. Para ele, é preciso avaliar até que ponto os governadores estão dispostos a assumir o desgaste de defender a reforma. "Se entregar voto, assumir o desgaste, não ficar só na minha digital e não levar só vantagem para eles, aí é uma questão de troca", declarou.

Na manhã desta segunda, o presidente Jair Bolsonaro participa, no Rio de Janeiro, de evento pelos 130 anos do Colégio Militar e há um grupo com pelo menos 300 manifestantes, a maioria estudantes, reunido próximo ao local. O protesto é contra o corte de verbas na Educação anunciado pelo governo federal na semana passada. À tarde, Bolsonaro visita o Ministério da Economia para um encontro com o ministro Paulo Guedes. (de O Estado de S. Paulo)





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