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Bolsa pode ter até 15 IPOs e vários follow-ons no semestre

18/12/2018

Bolsa pode ter até 15 IPOs e vários follow-ons no semestre


O Itaú BBA, braço de investimentos do maior banco privado do país,  espera que o mercado brasileiro seja palco de dez a 15 captações em renda variável no primeiro semestre do próximo ano, incluindo ofertas iniciais públicas de ações (IPO, na sigla em inglês) e ofertas subsequentes (conhecidas como follow on, quando uma empresa de capital aberto volta a ofertar papéis).

Outra agenda que deve avançar, conforme o presidente da instituição, Eduardo Vassimon, cujo cargo passa para as mãos de Caio Ibrahim David no próximo ano, é da infraestrutura, por conta da carência que existe neste segmento no Brasil. "O governo pode acelerar essa agenda já no primeiro semestre de 2019", disse ele, em conversa com a imprensa, ontem.

No mercado de fusões e aquisições, o BBA também vê mais movimento. Segundo Ibrahim, o volume neste ano foi de cerca de R$ 500 bilhões ante R$ 700 bilhões em 2017, mas deve crescer no próximo exercício.

Sobre a possível desova de investimentos dos bancos públicos, Vassimon disse que falta mais clareza sobre a estratégia das futuras administrações de Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

"Vai depender muito da visão dos gestores quanto à ênfase em um determinado segmento. São bancos que atuam como nós nos vários segmentos da economia, com vários produtos. Depende muito da agenda voltada para isso", acrescentou Ibrahim, dizendo que desconhecia qualquer estratégia das futuras gestões de BB e Caixa.

Em relação à fatia do Itaú no ressegurador IRB Brasil Re, o executivo afirmou que uma possível venda de sua participação -- o banco está no controle juntamente com Bradesco, BB e o governo, não está na mesa, mas que pode avaliar.

Reformas. Vassimon disse que está otimista em relação à aprovação das reformas, sobretudo a da Previdência, no início do ano que vem.

“Já há um amadurecimento da sociedade em relação à necessidade da reforma (da Previdência). As pessoas entendem melhor a importância do tema hoje. A maturidade da sociedade faz com que tenhamos expectativa mais positiva quanto à aprovação”, disse.

O executivo – que vai deixar o cargo no fim do ano, sendo substituído por Caio Ibrahim, atual diretor-geral de atacado do Itaú Unibanco –, disse que o cenário de não aprovação da reforma da Previdência é o “menos provável”.

“Estamos acompanhando com cuidado o cenário de articulação do novo governo. Olhamos com confiança e otimismo, mas somos realistas”, afirmou.

A expectativa de crescimento mais acelerado da economia brasileira em 2019 e os ajustes devem contribuir para acelerar a retomada do crédito corporativo, que atualmente tem sido motivado mais pelas pequenas e médias empresas. “Essas empresas foram em busca de capital de giro para seus negócios”, disse.

Os projetos de investimentos das grandes empresas, segundo Vassimon, já “saíram da gaveta e estão em cima da mesa”, à espera de um ambiente mais favorável.

A concessão de crédito corporativo do banco devem crescer em 2019. As empresas estão em processo de redução de dívidas nos últimos meses e devem voltar a ter demanda. O banco, que criou uma área de reestruturação de empresas em 2015, por causa da recessão, não prevê uma nova onda de grandes companhias pedindo recuperação judicial, como ocorreu nos últimos anos.

A projeção do Itaú BBA para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano é de crescimento de 1,3% para 2018 e de 2,5% para 2019. A inflação, medida pelo IPCA, deve ficar em 3,8% e 3,9%, respectivamente. A taxa de juros básica do país, a Selic, deve se manter estável em 6,5% no ano que vem, segundo estimativas do banco.

“O (presidente eleito Jair Bolsonaro) assume com economia melhor, juros e inflação baixos, mas a necessidade de ajuste fiscal permanece e deve ser endereçada para que os investimentos e o país possam crescer mais”, disse Ibrahim, futuro presidente do BBA. (de O Estado de S. Paulo)





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