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Braço da Swiss Re adquire 30 por cento da Tempo Assist

24/10/2018

Braço da Swiss Re adquire 30 por cento da Tempo Assist


O braço de investimentos da Swiss Re adquiriu participação de 30% no capital da Tempo Assist, empresa de assistência automotiva, residencial e pessoal. O grupo suíço comprou, por um valor não revelado, parte das ações que estavam nas mãos da gestora de private equity Carlyle e dos fundadores da companhia.

Com a transação, a Swiss Re Direct Investments Company se tornou o segundo maior acionista da Tempo. O Carlyle continua controlador, mas teve sua fatia diluída de 90% para 62%. A participação somada dos empresários Dimas de Camargo Maia Filho e José Bonchristiano caiu de 10% para 7%. O negócio já foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A Swiss Re indicará representantes para duas das sete vagas do conselho de administração da prestadora de serviços.

A operação foi iniciada no começo deste ano pelo Carlyle, que pretendia dar liquidez a uma parte de seu investimento na empresa. A gestora adquiriu o controle da Tempo em novembro de 2015, por cerca de R$ 350 milhões em valores da época. No ano seguinte, fechou o capital da companhia por meio de uma oferta que movimentou R$ 310,5 milhões.

“A venda foi totalmente secundária, a empresa não precisa de caixa”, afirma, em entrevista ao Valor, o diretor-presidente da Tempo Assist, Gibran Marona. “Mas a Swiss Re é uma referência global em seguros e chega num momento em que a empresa começa um novo ciclo.”

Com investimento de R$ 50 milhões, a Tempo Assist prepara o lançamento de uma plataforma digital para começar a vender seus produtos diretamente ao consumidor final. Hoje, os serviços da empresa são distribuídos por meio de seguradoras (como benefícios embutidos nas apólices), bancos, administradoras de cartões, montadoras e redes varejistas.

As vendas diretas têm estreia prevista para o primeiro trimestre de 2019 e serão voltadas à parcela da população brasileira que não tem seguro. Guilherme Vergani, diretor financeiro da Tempo, observa que 60% da frota brasileira de veículos e 86% das residências não estão cobertas por apólices. “Vamos mapear um mercado que hoje muitas vezes não é atendido por questão de preço”, diz.

A ideia da Tempo é oferecer serviços — avulsos ou na forma de pacotes — de assistências diversas, como chaveiro, encanador, reboque e outros. Para isso, conta com uma rede credenciada de 22 mil parceiros. A empresa se inspira num modelo comum na Europa, mas pouco disseminado no mercado brasileiro fora do universo das seguradoras.

“Podemos atender às necessidades das pessoas com um produto não regulamentado [diferentemente de um seguro] e de uso amigável”, diz Marona.

Para conduzir a plataforma digital, a Tempo reforçou a equipe com a contratação de nomes como Bianca Amaral, ex-Amazon, e Paulo Silva, ex-presidente do Walmart.com.

Nessa estratégia, uma das grandes apostas da Tempo é oferecer serviços de oficina móvel para veículos que precisam de reparo. A companhia desenvolveu um modelo de van, com scanner e reboque embutidos, que consegue diagnosticar e resolver a maior parte dos problemas no local. O serviço será vendido por meio de seguradoras, mas também será oferecido diretamente a quem não tem seguro.

Segundo Marona, a companhia já tem cinco oficinas móveis e fez um piloto com elas na cidade de São Paulo. Está previsto um investimento de R$ 35 milhões na expansão do projeto. A previsão é chegar ao fim de 2019 com 40 vans nas ruas de grandes cidades.

A expectativa dos executivos é que a plataforma digital ajude a triplicar o faturamento da Tempo Assist nos próximos anos. A companhia deve fechar 2018 com receita de R$ 850 milhões, afirma Vergani. “O projeto é de longo prazo e está acima da volatilidade da companhia.” (do Valor Econômico)





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