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Brasil terá importante papel na nova fase da Fiat Chrysler

24/07/2018

Brasil terá importante papel na nova fase da Fiat Chrysler


O pedido de demissão do chefe das operações da Fiat Chrysler na Europa, Alfredo Altavilla, ontem, depois da troca de comando mundial no grupo, reforça como o lado Chrysler ganha importância. E o Brasil terá especial participação nesse processo.

Praticamente, a metade do investimento de R$ 14 bilhões anunciado recentemente será aplicado na fábrica de Goiana, em Pernambuco, que produz essencialmente a linha Jeep. O ritmo de produção em Pernambuco foi acelerado nos últimos meses, o que ajudou o grupo a elevar participação no mercado brasileiro.

A saída de Altavilla ocorreu logo depois que o britânico Mike Manley, que comandava as marcas Jeep e Ram, foi nomeado para substituir Sergio Marchionne no cargo de presidente da FCA Fiat Chrysler.

Marchionne preparava a sucessão para se aposentar no próximo ano, mas o agravamento de problemas de saúde no fim de semana anteciparam as mudanças.

Na Itália, havia expectativas de que Altavilla poderia ocupar o cargo. Marchionne está internado em Zurique por conta de complicações que surgiram depois de uma cirurgia no ombro esquerdo. Outro nome cotado era o do diretor financeiro Richard Palmer, anunciado ontem como novo responsável pelo desenvolvimento de negócios globais.

Manley ainda não fez nenhum comentário público. Mas estará à frente da apresentação dos resultados financeiros no trimestre, amanhã. Fontes informam que o resultado foi positivo na América Latina, na qual o Brasil detém 54% dos volumes de veículos vendidos, segundo revelou recentemente o presidente da FCA na região, Antonio Filosa, no cargo há três meses. Segundo ele, a América Latina responde por 12% a 13% da receita mundial do grupo.

Marchionne estava otimista em relação ao Rota 2030, programa automotivo de incentivos para o setor, anunciado pelo governo há pouco mais de duas semanas. Um mês antes, quando questões polêmicas em torno dos benefícios fiscais adiavam o lançamento do programa, Marchionne referiu-se a ele durante evento em Balocco, na Itália. Questionado sobre isso, disse: "Se o governo do presidente Michel Temer não conseguir aprovar o Rota 2030 será um 'enorme erro'", que afetará todo o setor".

Marchionne também esteve no Brasil em março, quando o grupo anunciou ampliação do nível de emprego na fábrica de Pernambuco para a criação do terceiro turno.

No evento, Temer também se comprometeu a prorrogar os incentivos do regime automotivo para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, um tema que volta à discussão por conta de uma proposta de emenda à Medida Provisória que regulamenta o Rota 2030.

Única fábrica que produz a linha Jeep na América Latina, a unidade de Goiana receberá investimentos para o desenvolvimento de novas gerações de dois utilitários esportivos já produzidos ali -- Renegade e Compass -- e também para o lançamento de mais um produto com essas características, com três fileiras de assentos e capacidade para sete passageiros.

O plano de investimento de R$ 14 bilhões no Brasil abrange o período até 2022 e inclui modernização, automação e desenvolvimento de novos produtos na fábrica Fiat em Betim (MG). Faz parte do programa de € 45 bilhões nas fábricas da Fiat e Chrysler em todo o mundo, anunciados por Marchionne no início de junho.

Em 2014, a Fiat adquiriu o controle acionário da Chrysler, passando a deter 58% das ações da nova empresa, a FCA. Por meio da Chrysler, a Fiat conseguiu acesso aos Estados Unidos, mercado onde nunca teve força. Em Balocco, o executivo-chefe disse que havia tido uma reunião na Casa Branca, duas semanas antes, para discutir os novos planos do governo americano para taxar veículos importados.

No Brasil, a nova paixão do consumidor pelos utilitários esportivos também abriu espaço para o grupo crescer. Na terceira colocação, a Fiat tem 12,98% das vendas do primeiro semestre, segundo dados de emplacamentos da Federação Nacional da Distribuição de Veículos. Mas consegue elevar essa fatia para 17,4% com a participação da Jeep, que tem 4,42%. A soma das duas marcas lhe dá a liderança no mercado brasileiro.

Em Balocco, Marchionne chegou a demonstrar irritação diante da insistência de jornalistas de todo o mundo para saber sobre sua sucessão, informa o repórter Marcos de Moura e Souza, que representou o Valor Econômico no evento em que o grupo anunciou seu plano estratégico para a região.

Segundo analistas ouvidos pela imprensa americana, um dos maiores receios no processo de sucessão era de que um ou mais executivos que não fossem escolhidos para o cargo deixassem a empresa.

Segundo relatório da consultoria Jefferies, divulgado antes do pedido de demissão de Altavilla, "a saída de executivos que ocupam altos cargos pode gerar dúvidas quanto à estabilidade da administração". Em nota do grupo, Manley assumirá interinamente o cargo ocupado por Altavilla, que permanecerá na empresa até o fim de agosto para "garantir uma transição suave". (de agências internacionais)





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