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BTG Pactual deve ficar com dívida da Andrade Gutierrez

23/03/2018

BTG Pactual deve ficar com dívida da Andrade Gutierrez


A Andrade Gutierrez negocia com o BTG Pactual uma operação que permitirá à companhia encerrar suas dívidas com Banco do Brasil (BB) e Bradesco e usar ações da CCR em garantia para levantar um novo empréstimo de cerca de R$ 1 bilhão junto a investidores.

De acordo com fontes ao par das conversas, o BTG passará a ser o maior credor da Andrade, assumindo as posições de BB e Bradesco, que somam aproximadamente R$ 1 bilhão. Ainda não há um acordo fechado entre as partes.

A Andrade Gutierrez tem dívida de R$ 1 bilhão com BB e Bradesco, garantida por parte dos papéis da CCR. Os contratos proíbem a empresa de usar as demais ações da concessionária como lastro para levantar outros empréstimos. No entanto, a construtora precisa de dinheiro para não secar o caixa após o pagamento US$ 325 milhões em bônus emitidos no exterior, que vencem em 30 de abril.

A companhia tentou obter esse dinheiro nos bancos, mas não conseguiu. Embora tenha firmado acordo de leniência e seja considerada um bom ativo, a Andrade permanece com o crédito restrito nas principais instituições financeiras. Ao mesmo tempo, ainda não conseguiu se desfazer de todos os ativos que queria.

Por isso, a empresa agora mantém conversas com pelo menos dois grupos de investidores para tomar cerca de R$ 1 bilhão, que a ajudará a ter mais fôlego no curto prazo. Segundo fontes de mercado, um deles é a gestora americana DLP Capital Partners, que tem um fundo de crédito de perfil arriscado ("high yield") voltado ao setor imobiliário. O outro é representado pela brasileira QMS Capital.

A parcela dos investidores americanos seria garantida por ações da CCR. De acordo com um interlocutor ao par das conversas, o Bradesco aceitou liberar a restrição ao uso dos demais papéis da concessionária no negócio, mas o Banco do Brasil, não. Por isso, a Andrade tenta fechar uma operação por meio da qual pague a dívida com o BB e fique livre dessa restrição.

As ações da CCR, no entanto, já foram uma moeda de troca mais forte. Os papéis da concessionária acumulam queda de quase 17% nos últimos 30 dias, desde que vieram à tona notícias que envolveram o nome da empresa nas investigações da Lava-Jato.

Considerada uma companhia estruturalmente boa, mas com problemas financeiros, a Andrade Gutierrez precisa de recursos para tentar se reestruturar depois da queda brusca na geração de receitas após a Lava-Jato. No segundo trimestre do ano passado (informação mais recente disponível), a construtora tinha R$ 1,4 bilhão em dívida líquida. O caixa era de cerca de R$ 800 milhões. Procurada, a Andrade Gutierrez não comentou o assunto.

No mercado de dívida, a expectativa é de que a Andrade Gutierrez não tenha grandes dificuldades para fazer o pagamento dos bônus. Ontem, os títulos eram negociados a 90,5% do valor de face -- patamar que não denota um alto risco de default.

Em dezembro, a construtora tinha de R$ 5,4 bilhões em encomendas contratadas nos 12 meses anteriores. Em entrevista ao Valor Econômico em dezembro, o diretor financeiro e de relações com investidores, Gustavo Coutinho, disse que a companhia pretendia levantar R$ 1,1 bilhão com desinvestimentos. (do Valor Econômico)





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