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Caminhoneiros protestam por decisão contra tabela de frete

10/12/2018

Caminhoneiros protestam por decisão contra tabela de frete


Após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal  Luiz Fux proibir a  Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de multar os transportadores que não seguirem a tabela de fretes, caminhoneiros fazem protestos na Rodovia Presidente Dutra, na altura da cidade de Barra Mansa, no sul do Estado do Rio de Janeiro.

O protesto causou congestionamento entre os quilômetros 279 e 275, no sentido da capital fluminense durante o início da manhã. De acordo com a CCR, os motoristas não deixavam passar caminhões e carretas, mas liberaram o tráfego para veículos leves e ônibus. Ainda segundo a empresa, por volta das 11h não havia mais interdições em faixas ou no acostamento do trecho e o trânsito fluía sem lentidão.

Mais cedo, foi registrado também protesto em Pindamonhangaba. Segundo a CCR, que administra a Dutra, não há mais foco de protesto.

Na última quinta-feira, 6, uma decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a principal reivindicação dos caminhoneiros durante a paralisação, o cumprimento da tabela de preços mínimos dos fretes. A decisão é liminar e a proibição vigora até que o plenário do Supremo analise o caso. O ação contra as multas foi movida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Durante a madrugada, um grupo de caminhoneiros ocupou a rotatória da Avenida Augusto Barata, que dá acesso ao Porto de Santos. Os motoristas começaram a parar nos acessos aos terminais portuários e os caminhoneiros que chegavam com cargas eram abordados e convidados a aderir à manifestação, deixando de acessar os terminais de descarga.

De acordo com a PM, a mobilização seguia pacífica no início da manhã. O número de caminhoneiros parados não foi estimado pela polícia, mas a administradora do Porto de Santos informou que o grupo tinha entre 15 e 20 pessoas. Segundo a empresa, a manifestação teve início por volta das 03h30 e terminou às 07h20. O local já foi liberado e o tráfego flui normalmente na região.

Houve registro de manifestação também em Minas Gerais, no município de Além Paraíba, na Zona da Mata, próximo à divisa do estado com o Rio de Janeiro. A paralisação, que não provocou interrupção no tráfego, começou por volta das 3h e teve a participação de 14 manifestantes em dois postos de combustíveis da região, nos quilômetros 804 e 809 da via. O protesto foi encerrado às 9h59, segundo a PRF.

Dois detidos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que duas pessoas foram presas nesta segunda-feira, 10, na via Dutra, por agredir caminhoneiros que se recusaram a parar. A PRF não informou o nome dos detidos.

“A violência está acontecendo por parte de um pequeno grupo, em alguns pontos, onde estão atirando pedras em caminhoneiros que estão se recusando a aderir ao movimento”, informou a PRF. Ela informou que um caminhoneiro ficou ferido na testa, por estilhaços de vidro, “após ter seu veículo atingido por uma pedra lançada por manifestantes que estão usando da violência para obrigar a adesão ao movimento.”

Mais cedo, um integrante do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac) do Rio de Janeiro, Nelson de Carvalho Júnior, disse ao jornal que agentes da PRF haviam usado taser (arma de choque) em um manifestante e impedido o registro das cenas em vídeo. Além disso, os agentes teriam bloqueado a pista.

Questionada, a PRF informou que não tem relato do uso de taser na Dutra na manhã desta segunda-feira. No entanto, os agentes são orientados a fazer uso progressivo da força quando necessário. O órgão disse desconhecer que agentes tenham impedido gravações no local e negou que eles tenham bloqueado a Dutra.

Após as manifestações, entidades se posicionaram de maneira contrária à paralisação da categoria e de uma nova greve. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou nota na qual se coloca contra a greve de caminhoneiros e reafirma seu compromisso a favor do livre mercado. Já o presidente da Fetrabens, Norival de Almeida Silva Preto, afirmou que o movimento não pode atrapalhar a sociedade e nem a transição de um governo que está começando. (de O Estado de S. Paulo)





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