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Cota de exportação do aço argentino provoca mal-estar

04/05/2018

Cota de exportação do aço argentino provoca mal-estar


Causou mal-estar em algumas áreas do governo e no setor privado a informação de que a Argentina recebeu um tratamento diferenciado pelos Estados Unidos no acordo que excluiu países das sobretaxas de 25% e 10% nas importações americanas de aço e alumínio.

A forma como foram calculadas as cotas de exportação dos produtos argentinos para os EUA favoreceu os vizinhos.

No caso do aço, se fosse levada em conta a média exportada pela Argentina nos últimos três anos, a cota teria de ficar em torno de 130 mil toneladas, destacou um técnico, e não em 180 mil toneladas, como ficou no acordo com os EUA. Ou seja, houve um aumento unilateral do volume concedido.

Para o Brasil, foram estabelecidas cotas para aços semiacabados e acabados, também com base na média dos últimos três anos, com reduções de 7% e 30%, respectivamente.

O setor de alumínio ficou em uma situação pior. A cota oferecida ao Brasil pelos EUA teria de ser calculada com base na média dos últimos cinco anos, o que resultaria em um volume de 41 mil toneladas. Os argentinos, contudo, ficaram com 180 mil toneladas. Isso levou as empresas brasileiras a optarem pela sobretaxa de 10%.

“Entendemos que nossas vendas para os EUA são muito mais elevadas do que as da Argentina. Mas isso não justifica esse tipo de tratamento diferenciado, que está em desacordo com as normas da OMC -- comentou uma fonte, lembrando que os acordos ainda não foram publicados oficialmente pelo governo americano.

Em meio à tensão pela disparada do dólar no mercado local, o presidente argentino, Mauricio Macri, comemorou o acordo com os EUA. O setor siderúrgico também declarou ter ficado satisfeito com a cota de 180 mil toneladas.

“Agora estamos no melhor dos mundos: temos uma cota razoável e seremos mais competitivos do que a maioria dos países que deverão pagar a sobretaxa”, comentou um alto executivo do setor siderúrgico argentino.

Apesar do mal-estar, um técnico do governo brasileiro ponderou que, em 2017, os vizinhos venderam 200 mil toneladas de aço ao mercado americano, e as indústrias siderúrgicas brasileiras embarcaram 4,7 milhões de toneladas. Ou seja, a Argentina exporta pouco mais de 4% do volume de produtos siderúrgicos exportados pelo Brasil ao mercado americano.

“Não há como comparar o tratamento dado aos dois países pelos EUA, uma vez que os dois players têm potenciais muito diferentes”, disse o técnico.

Por enquanto, o governo vai esperar o fim das negociações dos EUA com o Brasil, a União Europeia e até mesmo com México e Canadá, que fazem parte do Nafta (acordo de livre comércio da América do Norte), antes de decidir se vai ou não recorrer à OMC por causa das sobretaxas. Porém, a questão será levada formalmente à reunião do G-20 -- grupo formado pelas 20 maiores economias do planeta -- em dezembro, em Buenos Aires.

No último dia 26 de abril, os EUA interromperam as negociações com o Brasil e avisaram que não iriam suspender as sobretaxas ao aço e ao alumínio. Disseram que a única opção para que os produtos brasileiros não fossem sobretaxados seria aceitar reduzir voluntariamente suas exportações. (de O Globo)





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