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Dado de cliente é armamento de guerra, diz o CEO da Apple

26/10/2018

Dado de cliente é armamento de guerra, diz o CEO da Apple


O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, disse que os dados dos clientes estão sendo "transformados em armamento de guerra com eficiência militar" para que as empresas aumentem seus lucros.

O empresário, que participou da Conferência Internacional de Proteção de Dados e Comissários de Privacidade, pontuou que a Apple apoiou uma lei federal de privacidade nos EUA, e também elogiou o compromisso da fabricante do iPhone em proteger informações e privacidade dos usuários.

Questões sobre como os dados são usados e como os consumidores podem proteger suas informações pessoais estão sob os holofotes depois de grandes violações de privacidade envolvendo milhões de usuários de internet e mídias sociais na Europa e nos Estados Unidos.

“O desejo de colocar os lucros acima da privacidade não é novidade” — sustentou Cook a uma multidão de reguladores de privacidade, executivos e outros participantes.

Ele citou o ex-juiz da Suprema Corte americana, Louis Brandeis, que em um artigo da Harvard Law Review de 1890 alertou que a fofoca não era mais o recurso dos ociosos, mas se tornara um comércio.

“Atualmente, esse comércio explodiu em um complexo industrial de dados. Nossas informações, sejam assuntos do cotidiano quanto questões profundamente pessoais, estão sendo transformadas em armamento de guerra contra nós, e com eficiência militar” — disse. “Esses fragmentos de dados são cuidadosamente montados, sintetizados, agrupados e vendidos”.

Cook pontuou que os algoritmos, uma ferramenta importante para os concorrentes, estavam transformando preferências inofensivas em convicções endurecidas.

“Se o verde é a sua cor favorita, você pode ler muitos artigos -- ou assistir a muitos vídeos -- sobre a ameaça insidiosa de pessoas que gostam de laranja” — disse ele. “Nós não devemos relativizar as consequências. Isso é vigilância. E esses estoques de dados pessoais servem apenas para enriquecer as empresas que os coletam”.

“Governos se aproveitaram da confiança do usuário para incitar a violência e minar o senso comum do que é verdadeiro e falso”

O empresário alertou sobre os governos que abusam dos dados dos usuários e sua confiança, uma preocupação para muitos, principalmente no período com eleições em vários países.

“Plataformas e algoritmos que prometeram melhorar nossas vidas podem realmente ampliar nossas piores tendências humanas” — defendeu o executivo da Apple. “Atores desonestos e até mesmo governos se aproveitaram da confiança do usuário para aprofundar as divisões, incitar a violência e até mesmo minar nosso senso comum do que é verdadeiro e do que é falso.

Cook relembrou que a Apple apoiou totalmente uma lei federal de privacidade nos Estados Unidos, algo que a Europa já introduziu por meio de seu Regulamento Geral de Proteção de Dados.

“Os usuários devem sempre saber quais dados estão sendo coletados e para qual finalidade estão sendo coletados. Esta é a única maneira de capacitar os usuários para decidir qual coleta é legítima e o qual não é. Qualquer coisa menos é uma farsa”.

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, e o CEO do Google, Sundar Pichai, também vão manifestar suas opiniões por meio de mensagens de vídeo ao longo do dia.  (de O Globo)





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