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Derrota na Câmara eleva dólar a R$ 3,94 e Bolsa cai mais de 2%

27/03/2019

Derrota na Câmara eleva dólar a R$ 3,94 e Bolsa cai mais de 2%


O dólar comercial reverteu a tendência de desvalorização da véspera e voltou a operar em alta, acima dos R$ 3,90 na quarta-feira. A moeda americana opera com valorização de 1,99%, a R$ 3,944.

O cenário doméstico é o que mais influencia a alta, mas fatores externos também contribuem para que os investidores fiquem receosos e busquem proteção no dólar.

Na Bolsa, o clima de otimismo também foi revertido. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações, recua 2,35%, aos 93.070 pontos.

Internamente, além dos desdobramentos a respeito da reforma da Previdência, pesa no mercado a mais recente decisão da Câmara dos Deputados, de tornar o Orçamento mais rígido , uma bandeira que vai de encontro às ideias defendidas pela equipe econômica liderada por Paulo Guedes.

“Os investidores não estão discutindo, neste momento, se o Orçamento impositivo é uma proposta boa ou não. O que está em xeque é a capacidade de articulação e negociação do governo junto à Câmara”, destacou Filipe Villegas, analista da Genial Investimentos.

“O mercado deu um voto de confiança a Jair Bolsonaro e Paulo Guedes no ano passado, mas temiam que o governo tivesse dificuldade de articulação. Com os recentes fatos, o que o mercado temia começa a acontecer. A aprovação de ontem foi vista como uma derrota para o governo, o que pode atrapalhar o curso da reforma da Previdência”.

O texto do Orçamento ainda precisa passar pelo Senado para entrar em vigor. Entretanto, a proposta é inversa ao que havia sido proposto pelo ministro da Economia.

Recentemente, ele disse que poderia enviar ao Congresso um projeto para acabar com as despesas obrigatórias do Orçamento. Assim, o governo teria liberdade para cortar o que quisesse da previsão de gastos.

Além disso, dados mais fracos nos Estados Unidos em relação à confiança dos consumidores e do mercado imobiliário reacenderam os temores de uma possível desaceleração da economia global.

O Dollar Index da Bloomberg, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, avança 0,27%.

Confiança abalada. A lua de mel do brasileiro com a condução econômica pelo novo governo também parece estar abalada.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta quarta-feira que em março o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 5,1 pontos em relação a fevereiro, de 96,1 para 91, o menor valor desde outubro de 2018, quando as expectativas estavam contaminadas pelo cenário eleitoral presidencial ainda indefinido. Em março, tanto as avaliações sobre o presente quanto às expectativas em relação aos próximos meses pioraram.

“O resultado de março sugere haver desapontamento dos consumidores com o ritmo de recuperação da economia, após projetarem melhoras para a economia e para as finanças familiares nos meses anteriores” — avalia Viviane Seda Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor.

“Além de a velocidade da recuperação estar aquém do esperado, a demora no avanço das reformas tem contribuído para o aumento da incerteza econômica”, afirmou. (de O Globo)





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