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Deutsche estuda parcerias com 'fintechs' brasileiras

16/10/2018

Deutsche estuda parcerias com 'fintechs' brasileiras


O Deutsche Bank tem estudado o mercado brasileiro de "fintechs" para possíveis parcerias, como parte da estratégia do banco alemão de se tornar uma plataforma com soluções tecnológicas e digitais para as finanças das empresas.

"Vamos observar as forças da inovação para fazer associações no Brasil. Há muitas coisas acontecendo por aqui com as quais podemos aprender e aplicar em outros mercados", disse o alemão Michael Spiegel, diretor de cash management do Deutsche Bank, área responsável pelos serviços de tesouraria e de pagamentos, em entrevista ao Valor Econômico durante visita ao Brasil.

Spiegel esteve com algumas startups brasileiras para entender o ecossistema de inovação no país. No dia anterior à entrevista, a chinesa Tencent havia anunciado o investimento de US$ 90 milhões na fintech de cartões de crédito Nubank, um volume considerável, em sua opinião.

O Deutsche tem feito aquisições e parcerias com fintechs pelo mundo. Em maio, o banco comprou a indiana Quantiguous Solutions, que ajudará a acelerar o desenvolvimento de uma plataforma "open banking", capaz de produzir, por exemplo, aplicativos para os clientes. Em agosto, o banco alemão adquiriu uma participação na americana Modo, uma empresa focada em inovações para meios de pagamento digitais. Os valores dos negócios não foram informados.

De acordo com o executivo, o Deutsche não tem o objetivo de investir por investir, para ganhar com o crescimento das fintechs, mas de "investir por questões estratégicas para o banco". A ideia é vender soluções para que as empresas possam oferecer aos seus clientes, normalmente os consumidores e os pequenos negócios, que muitas vezes não têm conta em banco, mas possuem as chamadas carteiras virtuais.

O Deutsche passa por um momento de reformulação em todo o mundo e, no país, está reforçando suas operações em atividades de banco comercial, com serviços em renda fixa, derivativos e câmbio.

O executivo diz acreditar que, apesar do desafio fiscal enorme pela frente, o Brasil já deixou para trás "a mais forte recessão desde que a hiperinflação foi superada".

Dessa forma, há espaço para um novo momento de crescimento econômico, cujo ritmo será determinado por questões internas, como o desenrolar das eleições e a solução para a crise fiscal, mas também pelo cenário externo, como uma possível guerra comercial no mundo.

"O investimento estrangeiro direto no Brasil deve alcançar US$ 80 bilhões em 2019, um volume considerável e que nunca caiu significativamente", afirmou o executivo. "Não se pode subestimar o quanto historicamente outros países investem no Brasil, mercado que vai continuar representativo para os nossos clientes", disse Spiegel.

Segundo o executivo, um novo ciclo se abriu para o Brasil após a operação Lava-Jato. Com o escândalo, mesmo as empresas que não estavam diretamente envolvidas ficaram sobre a "sombra" do caso e tiveram de passar por uma diligência maior, o que teve impactos em termos de liquidez.

"Há uma perspectiva positiva, se colocados em prática mecanismos de controle contra a corrupção pelas empresas e os governos."

Spiegel diz que o Brasil tem "fortes fundamentos" econômicos, como, por exemplo, o fato de ser produtor de petróleo, hoje a um preço competitivo, além de soja, aço e açúcar, tornando-se um dos poucos países com capacidade de autossuficiência. "Aguardamos o crescimento econômico que gostaríamos de ver aqui. Estou com os dedos cruzados para que o país tenha o resultado político que precisa para isso acontecer." (do Valor Econômico)





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