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Estrangeiro vê preço baixo para adquirir ações no Brasil

27/09/2018

Estrangeiro vê preço baixo para adquirir ações no Brasil


Investidores estrangeiros voltaram a comprar ações no mercado brasileiro. A alta do dólar, um maior otimismo com o desempenho das economias emergentes e a interpretação de parte dos agentes do mercado de que as eleições não devem provocar uma mudança radical na condução da política econômica brasileira contribuíram para que a entrada de recursos estrangeiros na Bolsa voltasse ao azul.

De julho até agora, esses investidores compraram R$ 8,2 bilhões em papéis de empresas nacionais. Na primeira metade do ano, foi retirado o equivalente a R$ 9,9 bilhões. No mercado futuro, eles apostam na valorização do principal índice do mercado acionário do país. Esse movimento tem sido determinante para a alta do Ibovespa em setembro, que já chega a 2,6%.

Na avaliação de Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, esse fluxo de recursos para o Brasil ocorre dentro de um contexto de melhora dos emergentes, em especial nas últimas semanas. Outro fator é a desvalorização do real. Com o dólar a R$ 4, fica mais barato para quem é de fora comprar ações brasileiras.

“Vários emergentes apresentaram melhora, e com o Brasil não foi diferente. Vejo como uma entrada pontual, com os fundos globais ou dedicados aos emergentes fazendo ajustes” — explicou ele.

De fato, os principais mercados emergentes operam com ganhos. Em dólar, o Ibovespa registra uma alta de 3,14% no mês até ontem, acima dos ganhos das Bolsas do México (1,36%) e da China (1,78%).

O desempenho brasileiro, no entanto, é inferior ao registrado pelo índice acionário russo, que teve ganhos de 6,27%. Já o índice brasileiro, em dólar, está em torno de 19,5 mil pontos, abaixo dos cerca de 24 mil pontos nessa mesma época nas últimas eleições, em 2014.

Curtíssimo prazo. A última rodada de sobretaxas dos Estados Unidos sobre produtos da China e a confirmação de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, deve manter o gradualismo na alta dos juros são fatores que beneficiaram os emergentes nas últimas semanas.

Na avaliação de Peretti, os estrangeiros por enquanto estão olhando os ganhos de curtíssimo prazo. Embora avaliem como está o andamento das eleições, querem tirar proveito dessa oportunidade de ganhos.

‘‘Esses números estão refletindo que cada lado tem 50% de chance. É mais ponderado acender uma vela para cada santo’’, afirma Fernando Araújo, diretor de Investimentos da gestora FCL Capital.

“O estrangeiro, neste momento, está olhando que o dólar se valorizou muito e deixou a Bolsa atraente. É mais especulativo do que uma melhora dos fundamentos. Não é um sinal de que estão engolindo qualquer resultado nas eleições.

James Gulbrandsen, sócio da gestora de recursos americana NCH Capital, confirma que tem crescido a exposição de estrangeiros em ações no Brasil:

“O estrangeiro, americano pelo menos, faz uma analogia com o que aconteceu nos Estados Unidos. O Dow Jones bateu recordes consecutivos após a eleição de Donald Trump.

Outro fator justifica a “aposta”, mesmo em meio a um cenário eleitoral indefinido. Se, por um lado, há uma preferência por um candidato que seja considerado mais comprometido com as reformas econômicas, parte do mercado tem a expectativa de adoção de um discurso mais moderado do candidato do PT num eventual segundo turno.

Mesmo que isso não ocorra, a tendência é de uma alta do dólar, o que protege o investidor estrangeiro de uma queda na Bolsa, no cenário considerado mais adverso.

“Esses números estão refletindo que cada lado tem 50% de chance. É mais ponderado acender uma vela para cada santo. Fica “comprado” em Bolsa, não perde tanto devido à variação do dólar” — avalia Fernando Araújo, diretor de Investimentos da gestora FCL Capital.

A visão mais otimista dos estrangeiros em relação ao Brasil se reflete ainda na negociação de contratos futuros do Ibovespa. Esse grupo de investidores está com um saldo líquido de 187 mil contratos na posição comprada, o que significa que esperam que a Bolsa suba. No fim do primeiro semestre, essa posição era de 110 mil contratos.

Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial, também vê um movimento direcional (ou seja, apostando na alta) por parte dos estrangeiros, mas reforça que esse é um dinheiro altamente especulativo:

‘“É um fluxo que entra e sai muito rápido. Só será possível ter uma leitura de definição de tendência após as eleições”.

A queda do volume financeiro da Bolsa também é, segundo Figueredo, um dos indicativos de que esse é um fluxo mais especulativo. Ele lembra que, até junho, a média diária de negociação na B3 (antiga Bovespa) estava em torno de R$ 12 bilhões. Atualmente, está perto de R$ 9 bilhões.

“Com menor volume, fica mais fácil especular. Os investidores de longo prazo ficam acuados com a indefinição eleitoral. Mais observam do que atuam. O grande fluxo acaba sendo o de curto prazo” — confirma Figueiredo.

O que irá determinar se esse fluxo considerado especulativo vai se tornar uma entrada mais consistente de recursos na Bolsa é a sinalização do futuro presidente sobre as reformas econômicas, dizem analistas.

Em nota a clientes, o Rabobank ressalta que, devido ao desafio de fazer uma reforma bem-sucedida, os riscos para os ativos locais continuam elevados. (de O Globo)





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