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EUA cobram fim da cota para etanol e abertura para trigo

05/12/2018

EUA cobram fim da cota para etanol e abertura para trigo


Os EUA voltaram a pressionar para que o Brasil elimine a cota de importação de etanol, por um lado, e, por outro, para que o país implemente uma cota para o trigo, de forma a ampliar o acesso de seus produtores ao mercado brasileiro.

Washington sabe que, a esta altura, o governo Temer está arrumando as malas. Mas, visivelmente, espera que suas demandas sejam atendidas de maneira acelerada pelo governo de Jair Bolsonaro, publicamente mais afinado com a gestão Trump.

Em agosto de 2017, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) estabeleceu que as importações brasileiras de etanol sem tarifa seriam limitadas a 600 milhões de litros por ano, por 24 meses. Acima desse volume, passou a vigorar uma alíquota de 20%.

Com isso, o Brasil deixou de ser o maior mercado para o etanol americano no exterior. Antes, o país chegou a ser o destino de mais de 30% das vendas dos EUA. O Valor Econômico apurou que, em encontro bilateral realizado em Genebra, a delegação americana cobrou do Brasil que a cota de importação de etanol seja logo eliminada ou, pelo menos, que não seja renovada pela Camex em julho.

Com relação ao trigo, a queixa americana é de que o Brasil continua a desrespeitar um compromisso assumido na Organização Mundial do Comércio (OMC) de criar uma cota de importação de 750 mil toneladas, livre de tarifa. Houve discussões bilaterais sobre o assunto nos últimos dois anos, quando Washington aumentou a pressão.

O Ministério da Agricultura brasileiro chegou a mudar de posição e aceitar a criação do limite quantitativo sem alíquota. Mas o Itamaraty bloqueou o acordo, por considerar que ia provocar irritações na Argentina, tradicional fornecedora do cereal ao Brasil. Agora, os americanos jogam as fichas no próximo governo em Brasília.

Os EUA também voltaram a mencionar o Programa de Escoamento da Produção (PEP), subsídio ao frete concedido para escoamento da produção. Mas, desta vez, os americanos pareceram menos incisivos, já que foram informados de que nos últimos tempos o apoio foi concedido somente para o arroz, e não para o milho.

Por outro lado, os EUA já responderam a questionamentos do Brasil e de outros exportadores agrícolas, nas últimas semanas, em comitês da OMC, sobre o pacote de US$ 12 bilhões anunciado para ajudar seus agricultores atingidos por retaliações de parceiros.

O governo Trump não dá o menor sinal de que vá recuar na concessão da ajuda, mesmo se houver acordo com os chineses para suspenção da guerra comercial. (do Valor Econômico)





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