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Grandes bancos devem lucrar R$ 16,9 bilhões no trimestre

24/04/2018

Grandes bancos devem lucrar R$ 16,9 bilhões no trimestre


Com a expectativa de uma retomada mais consistente do crédito e calotes em queda, os grandes bancos brasileiros devem manter a rotina e registrar mais um trimestre de lucros em alta.

O resultado combinado de Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil deve atingir R$ 16,9 bilhões, um avanço de 8,5% em relação aos três primeiros meses do ano passado, conforme a projeção média de analistas.

Embora se trate de um resultado expressivo, o ritmo de crescimento será menor em relação ao que se viu nos últimos trimestres, à medida que a queda da taxa básica de juros (Selic) mostrar os primeiros sinais de pressão nas margens.

Os bancos têm resistido a baixar os spreads. Mas a redução da Selic deve começar a se fazer notar com a renovação das operações de crédito, segundo o Goldman Sachs.

No entanto, os analistas do banco esperam que esse impacto seja minimizado com uma mudança na composição dos financiamentos. As instituições financeiras têm priorizado linhas de pessoas físicas, que em geral possuem spreads maiores.

"Acreditamos que o ciclo de crescimento do crédito já está em andamento. Os resultados do primeiro trimestre devem trazer mais evidência desse movimento", escreveram os analistas, em relatório a clientes. "Em particular, esperamos ver uma aceleração acentuada no crescimento anual do crédito ao consumidor."

A expectativa dos analistas do UBS é que a carteira de crédito dos quatro bancos volte a crescer depois de oito trimestres consecutivos no território negativo. Pelas projeções do banco suíço, o saldo dos financiamentos deve apresentar uma expansão de 1,2% em relação a março do ano passado.

O resultado dos bancos também deve se beneficiar da tendência de melhora da inadimplência. O Banco do Brasil, o último entre os grandes a apresentar queda no índice, e o Santander devem ter o maior recuo nos calotes no trimestre, refletindo uma potencial baixa de empréstimo concedido para um grande cliente no setor corporativo, de acordo com o UBS.

Para os analistas da BB Investimentos, o crédito só deve mostrar crescimento nos números do segundo trimestre. Mesmo assim, a expectativa para o desempenho no ano como um todo foi revisada para cima, de uma alta de 4,1% para 4,5%. Embora os spreads menores sejam um fator de pressão, a queda nas despesas com provisão ainda deve contribuir para os resultados, segundo os analistas.

A temporada de divulgação de balanços começa nesta terça-feira com o resultado do Santander Brasil. A estimativa média dos analistas aponta para um lucro de R$ 2,7 bilhões, alta de 18% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A unidade brasileira do banco espanhol deve manter o ritmo mais forte de crescimento do crédito do que os concorrentes, segundo os analistas do Itaú BBA.

O Bradesco, que divulga o balanço na quinta-feira pela manhã, deve registrar lucro líquido de R$ 4,9 bilhões, alta de 5%, conforme a média das estimativas. "As despesas com provisões e baixas (impairment) devem ser um ponto de atenção depois de atingirem um nível acima do esperado no quarto trimestre de 2017", afirmam os analistas do J.P. Morgan.

Para o Itaú Unibanco, a expectativa é de um lucro de R$ 6,4 bilhões (alta de 3%), de acordo com as projeções dos analistas. O maior banco privado brasileiro divulga o balanço em pleno feriado de 1º de maio, depois do fechamento dos mercados nos Estados Unidos.

O balanço será o primeiro a incorporar a unidade de varejo do Citi. O crescimento do crédito deve ajudar a compensar os spreads menores, segundo o J.P. Morgan, que espera uma expansão anual de 0,7% na carteira do banco.

O BB, que divulga o balanço no dia 10 de maio, deve registrar o maior crescimento no lucro entre os grandes bancos de capital aberto. A projeção média aponta para um resultado de R$ 3 bilhões, alta de 19% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A carteira de crédito do banco público, porém, deve registrar queda de 0,9% em 12 meses, segundo o UBS. (do Valor Econômico)





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