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Grandes bancos recomendam que executivos não viajem a China

24/10/2018

Grandes bancos recomendam que executivos não viajem a China


Grandes bancos globais, incluindo o Citigroup e o Standard Chartered, pediram a seus executivos da área de investimento para que adiem ou reconsiderem viajar à China depois de autoridades do país impedirem que uma executiva da UBS deixasse o país, disseram fontes próximas ao assunto.

O BNP Paribas e o JPMorgan também pediram a seus funcionários da área de investimentos que reconsideram planos de viagem para a China na sequência à decisão de oficiais chineses contra a executiva do UBS.

O suíço Julius Baer, que administra ativos avaliados em US$ 390 bilhões globalmente, recomendou a sua equipe cautela no que diz respeito a planos de visita à China, informou à Reuters uma outra fonte.

A executiva da UBS baseada em Cingapura, que atua como gerente de relacionamento com o cliente na unidade de gestão de patrimônio do banco suíço, e cuja identidade não foi revelada, ainda mantém seu passaporte. Na semana passada, contudo, foi pedido a ela que adiasse sua saída de Pequim e que ela permanecesse na China para uma reunião com autoridades locais nesta semana.

O tema dessa reunião não está claro. O UBS não quis comentar o assunto. A incerteza ao redor do ocorrido, porém, levou o banco suíço — e agora também vários de seus concorrentes — a requerer que seus funcionários da área de investimentos sejam cautelosos ao avaliar uma viagem à China.

A prudência dos bancos ressalta os riscos envolvidos para os bancos privados globais ao atuar no que é a maior oportunidade no mundo na área de gestão de fortunas.

A China é o vetor mais forte de crescimento na indústria de patrimônio na Ásia, com seu amplo e crescente grupo de milionários e bilionários impulsionado pelo florescente setor de tecnologia chinês, que funciona como um campo chave de atuação para grandes bancos privados.

Porém, o setor financeiro está sob forte escrutínio em um momento em que Pequim trabalha para reduzir os altos níveis de endividamento na economia e frear uma fuga de capital do país para sustentar o yuan, o que significa que há muito pouco espaço para erro da parte da indústria.

BNP, Citi, JPMorgan, Standard Chartered e Julius Baer não comentaram. Todas as fontes consultadas preferiram não ser identificadas.

A base de gestão de patrimônio do UBS na China é uma exceção no setor, considerando que quase todos os demais bancos atuam no segmento a partir de unidades instaladas principalmente em Hong Kong e Cingapura.

A maior parte dos gestores de fortunas que ficam fora do país viajam frequentemente à China para encontros informais com clientes, mas não têm permissão para solicitar negócios no país nem oferecer investimentos amplamente comercializados no exterior à clientela chinesa.

O UBS é o maior gestor de fortunas operando na Ásia, com US$ 383 bilhões em ativos em carteira, segundo a revista “Asian Private Banker”, à frente de Citi, Credit Suisse, HSBC e Julius Baer.

O Credit Suisse não impôs qualquer tipo de barreira a viagens à China, segundo um porta-voz do banco.

‘O número de pessoas de alta renda — aqueles com ao menos US$ 1 milhão para investir — cresceu em 12% no ano passado na região da Ásia e do Pacífico, a mais alta taxa registrada em todo o mundo nesse segmento, de acordo com dados da consultoria CapGemini. (de O Globo)





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