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Grupos rastreiam concorrência para o leilão dos 12 aeroportos

14/03/2019

Grupos rastreiam concorrência para o leilão dos 12 aeroportos


Para participar do leilão de aeroportos marcado para amanhã, não bastou aos grupos interessados se certificarem de sua capacidade financeira. Nos bastidores, foi crucial mapear de antemão quem seriam os concorrentes em cada um dos três blocos de aeroportos ofertados e, assim, calibrar melhor os lances.

"Fizemos um mapeamento de quais empresas visitaram quais aeroportos e quantas vezes", diz o executivo de um banco que assessora um dos grupos interessados.

Um número maior de visitas indicaria maior interesse por determinado ativo. "É um investimento grande que se faz previamente." As empresas montam equipes internas e contratam assessores financeiros e jurídicos para elaborar suas estratégias.

"Era possível ter uma referência só de olhar a agenda da Infraero, que estava recebendo todo mundo", diz Ana Candida Carvalho, sócia na área de Infraestrutura do Tozzini Freire. Essa agenda é o detalhamento de compromissos de diretores, superintendentes e presidente da Infraero, que é atualizada diariamente no site da estatal.

O diretor de um banco que deu lance para o cluster do Nordeste conta que o cliente visitou os seis aeroportos do bloco e os principais, mais de uma vez. "No aeroporto do Recife, ele esteve três vezes, e aproveitava para perguntar discretamente aos administradores locais, como gerentes, quem esteve ali. Em uma dessas visitas, encontrou um concorrente no saguão", conta.

"Avaliamos quem faz perguntas e requer esclarecimentos a respeito do edital, por exemplo", explicou um advogado que assessora um grupo estrangeiro na disputa. "Também olhamos a contratação de assessores e bancos", completou.

Outra forma de identificar os interessados é descobrir quem entrou em contato com construtoras. "Hoje, os investidores são basicamente os operadores aeroportuários. Como em geral não têm o 'know how' necessário para calcular preços e investimentos, procuram as construtoras", disse outro advogado.

Na última terça, na entrega das propostas na B3, os representantes dos grupos que compareceram à bolsa tentavam não ser identificados. Ao mesmo tempo, era possível observar pessoas ligadas aos mesmos grupos que passaram o dia de tocaia para tentar captar informações sobre quem eram os concorrentes.

Conseguir calibrar o valor a ser oferecido pelo bloco de interesse é uma arte. "É preciso tentar propor um valor que coloque a empresa entre as três melhores ofertas e, ao mesmo tempo, guardar uma gordura para gastar na fase do leilão viva-voz", explica um banqueiro.

Pelas regras do leilão, para cada um dos três blocos -- Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste --, as três maiores ofertas serão qualificadas para passar à fase de viva-voz. A abertura dos envelopes está marcada para as 10h da manhã, na B3, amanhã.

Ao menos dez empresas ou consórcios se habilitaram para o leilão, segundo apurou o Valor: as operadoras francesas ADP e Vinci, a alemã Fraport, a suíça Zurich, a espanhola Aena, um consórcio entre a gestora Pátria e a operadora AviAlliance, a concessionária brasileira de infraestrutura CCR, a construtora Construcap em consórcio com a operadora chinela Agunsa e o consórcio entre as administradoras de terminais rodoviários Socicam e Sinart.

O Pátria teria formado ainda um segundo consórcio com a francesa Egis para disputar o bloco do Sudeste. (do Valor Econômico)





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