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Guedes defende reforma da Previdência e uso de reservas

30/10/2018

Guedes defende reforma da Previdência e uso de reservas


O economista Paulo Guedes, indicado para ser ministro da área econômica no governo de Jair Bolsonaro, defendeu nesta terça-feira a urgência da reforma da Previdência e minimizou o posicionamento do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro ministro da Casa Civil, que é resistente a apoiar a proposta sobre o assunto, que se encontra na Câmara dos Deputados.

Questionado sobre as visões diferentes dentro do governo, antes da primeira reunião da equipe econômica, Guedes sinalizou que desautoriza o parlamentar a falar sobre questões econômicas. Na fala, ele também descartou o uso de uma banda cambial, para definir o valor do dólar, que hoje é flutuante.

“Ele (repórter) está dizendo que Onyx, que é coordenador político, está falando de banda cambial. Ao mesmo tempo, diz que o Onyx, que é coordenador político, diz que não tem pressa na Previdência. Aí o mercado cai”.

“Estão assustados por que? É um político falando de coisas de economia. É a mesma coisa que eu sair falando coisas de política. Não dá certo, né?” -- afirmou, antes de entrar na reunião, na casa do empresário Paulo Marinho, aliado do presidente eleito.

Na segunda-feira, Onyx descartou a reforma de Temer e sugeriu a criação de um modelo que separa a Previdência da assistência social. O coordenador político disse que a proposta de Temer é um “remendo”. Ele não é contrário à medida, mas quer fazer uma reforma mais duradoura, de uma vez só.

Paulo Guedes não deixou claro se apoiará a proposta que hoje tramita na Câmara. Ele voltou a defender um plano nas linhas do que foi apresentado durante a campanha eleitoral. Uma reforma para reequilibrar o sistema atual e a criação de um novo regime, inspirado na experiência chilena, voltado para entrantes no mercado de trabalho.

Ele sinalizou ver com bons olhos a medida apresentada pelo governo atual. Reservadamente, técnicos próximos afirmam que é muito difícil encaminhar a medida ainda neste ano, justamente pela dificuldade da negociação política.

“Acho que trabalharam dois anos nesta reforma (proposta no governo Michel Temer). Passei dois anos dizendo: "aprovem a reforma da Previdência, aprovem a reforma da Previdência". Não é só porque agora passei para o governo, mudei o chapéu, vou dizer "não aprovem a reforma da Previdência" — afirmou.        “Vamos criar uma nova previdência, de capitalização, mas existe uma Previdência antiga. Temos que consertar essa que está aí”.

Lembrado de que a reforma no Chile, usada como modelo, foi aprovada em uma ditadura, Guedes descartou que a resistência popular, mais forte em uma democracia, impeça a aprovação da reforma. Para exemplificar, aproveitou para defender outro de seus pilares, as privatizações.

“Já tem acontecido tudo isso. Quando começaram as primeiras privatizações, houve protesto. Hoje as pessoas já entendem que as estatais foram ativos mal geridos e foco de corrupção”, afirmou, lembrando escândalos como o que envolveu a Petrobras.

Uso das reservas. O economista afirmou ainda que a ideia de vender reservas internacionais só seria aplicada em caso de crise especulativa contra o real -- ou seja, forte desvalorização da moeda nacional frente à divisa americana. Nesse caso, o economista diz que a ideia seria recomprar a dívida interna com o dinheiro das reservas. A informação sobre o plano foi noticiada nesta terça pelo Valor Econômico.

“Não existe essa necessidade de carregar tantas reservas. Esse é um seguro muito caro. Quando vem dinheiro de fora, você acumula reserva e emite reais. Depois, tem que emitir dívida interna para esterilizar esse dinheiro que entrou de fora”.

“Tem um custo” – continuou --,”que é o custo da dívida. Se essa dívida se agudizar, se o dólar vier a R$ 4,20, R$ 4,30, R$ 5, vai ser muito interessante. Se você vender US$ 100 bilhões a R$ 5, são R$ 500 bilhões. Isso significa que você vai, na mesma hora, recomprar a dívida interna. E depois sigo a vida. Em vez de ter R$ 3,5 trilhões de dívida, tenho só R$ 3 trilhões”.

“Isso num cenário de crise” -- afirmou o economista. “Sem crise, não. O dólar agora está a R$ 3,60. Para que eu vou vender dólar? Para derrubar a exportação?”
       Guedes comentou ainda a repercussão das declarações sobre Argentina e Mercosul em  entrevista coletiva que concedeu no domingo, horas após a confirmação da vitória de Bolsonaro.

Na ocasião, ainda no domingo, Guedes foi questionado por uma jornalista argentina sobre o assunto e afirmou que o assunto não era prioridade.
       “Nosso principal problema, hoje, são os desequilíbrios internos. Não quis em nenhum momento desmerecer a Argentina ou o Mercosul. Quis dizer que não é a minha prioridade” -- disse o economista, afirmando que havia sido uma noite exaustiva.

Paulo Guedes minimizou ainda as declarações do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), indicado para ser o ministro da Casa Civil, que é resistente à ideia de fazer uma reforma da Previdência e chegou a afirmar a possibilidade de o futuro governo usar uma meta de taxa de câmbio. Hoje, o câmbio é flutuante. (de O Globo)





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