BLOG

Incertezas pedem flexibilidade nos juros, aponta a ata do BC

25/09/2018

Incertezas pedem flexibilidade nos juros, aponta a ata do BC


Os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avaliaram, em reunião realizada na semana passada, que “o nível de incerteza da atual conjuntura gera necessidade de maior flexibilidade para condução da política monetária, o que recomenda abster-se de fornecer indicações sobre seus próximos passos”.

Segundo a ata desse encontro, divulgada nesta terça-feira, os participantes do colegiado debateram a conveniência de sinalização sobre a evolução futura da política monetária e ponderaram “que se torna importante reforçar o seu compromisso de conduzir a política monetária visando manter a trajetória da inflação em linha com as metas”. “Isso requer a flexibilidade para ajustar gradualmente a condução da política monetária quando e se houver necessidade”, afirma o Copom.

“Essa capacidade de resposta a distintas circunstâncias contribui para a manutenção do ambiente com expectativas ancoradas, o que é fundamental para garantir que a conquista da inflação baixa perdure, mesmo diante de choques adversos”, afirma o texto da reunião, na qual se mantiveram os juros básicos da economia em 6,5% ao ano.

O Copom destacou ainda que o balanço de riscos para a inflação se mostra assimétrico, pendendo para o lado negativo. Do lado positivo do balanço de riscos, o Comitê avaliou que “o risco baixista decorrente da inércia do nível baixo de inflação no passado recente se dissipou”. Os membros do colegiado ponderaram, não obstante, que “a manutenção de elevado grau de ociosidade na economia constitui risco baixista para a inflação prospectiva”.

Em seguida, a ata relata a discussão sobre o lado baixista do balanço de riscos.” Por outro lado, discutiu-se a importância da continuidade do processo de ajustes e reformas na economia brasileira e o risco associado à deterioração do cenário para economias emergentes”, diz a ata.

A conclusão do colegiado é que, “contemplando os dois lados do balanço de riscos, os participantes do Copom concluíram que o balanço mostra-se assimétrico, tendo em vista que os últimos riscos destacados se elevaram”.

Sobre o balanço de riscos, o colegiado basicamente repete o que havia afirmado em comunicado divulgado junto com a decisão pela manutenção do juro.

“O cenário básico do Copom para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções”, diz a ata. “Por um lado, o nível de ociosidade elevada pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado”, segue o documento. “Por outro lado, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária”.

“Esse risco” – prossegue o texto – “se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê julga que esses últimos riscos se elevaram.”

O BC nota que o estímulo monetário da economia “deve ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora”.

“Todos concordaram em que o grau de estímulo adequado depende das condições da conjuntura, em particular, das expectativas de inflação, da capacidade ociosa na economia, do balanço de riscos e das projeções de inflação”, diz a ata. “Em especial, a provisão de estímulo monetário requer ambiente com expectativas de inflação ancoradas.”

O colegiado reiterou “sua visão de que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da sua taxa de juros estrutural, cujas estimativas serão continuamente reavaliadas pelo comitê”.

Segundo a ata, os participantes do Copom avaliaram que a conjuntura econômica com expectativas de inflação ancoradas, medidas de inflação subjacente em níveis apropriados, projeções de inflação próximas da meta para 2019 e elevado grau de ociosidade na economia ainda prescrevem política monetária estimuladora, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

“Embora estimativas dessa taxa envolvam elevado grau de incerteza, os membros do Comitê manifestaram entendimento de que as atuais taxas de juros reais ex-ante têm efeito estimulador sobre a economia”, diz o colegiado.

Para o BC, a economia segue num processo de recuperação, mas em ritmo mais gradual do que no início do ano e com alto nível de ociosidade. “Após o impacto da paralisação no setor de transportes ocorrida no final de maio, os indicadores e informações disponíveis apontam para a continuidade do processo de recuperação da economia brasileira”, diz ata.

A autoridade monetária observou ainda que o cenário externo permanece desafiador, com redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes. Os principais riscos derivam da normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas e das incertezas relativas ao comércio global. O cenário básico do Copom contempla normalização gradual da política monetária nos países centrais.

O Copom reforça, contudo, a capacidade da economia brasileira de absorver choques externos devido à situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao ambiente com expectativas de inflação ancoradas e perspectiva de recuperação econômica.

Além disso, o colegiado voltou a enfatizar a importância da aprovação das reformas, principalmente as fiscais, para sustentabilidade de inflação baixa e estável, o funcionamento da política monetária e a redução da taxa de juros estrutural. Também enfatizou que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. (do Valor Econômico)





Cursos