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Investimento direto no país cai 12,8%, a US$ 6,8 bi em março

26/04/2019

Investimento direto no país cai 12,8%, a US$ 6,8 bi em março


Os investimentos diretos no país (IDP) recuaram 12,8%, para US$ 6,8 bilhões em março de 2019, ante US$ 7,8 bilhões em igual mês do ano passado, de acordo com estatísticas do setor externo, divulgadas ontem pelo Banco Central.

No mês, os ingressos líquidos foram compostos de US$ 4,0 bilhões em participação no capital e US$ 2,9 bilhões em operações intercompanhia. Nos últimos doze meses, os ingressos de IDP totalizaram US$ 88,5 bilhões, equivalentes a 4,72% do PIB. No primeiro trimestre de 2019, os ingressos líquidos de IDP somaram US$ 21,1 bilhões, ligeiramente superiores aos US$ 20,9 bilhões no mesmo período de 2018.

Segundo especialistas, a demanda das empresas por financiamento no exterior tem mascarado o volume de IDP. A expectativa é de  que o apetite de estrangeiros por investir no Brasil ainda seja influenciado pelas incertezas quanto às reformas estruturais ao longo deste ano.

De acordo com o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, o movimento se estende desde o ano passado e, apesar de já ter demonstrado certa melhora, ainda esconde um fator que é “mais negativo do que positivo”.

“As fontes de financiamento de longo prazo têm deixado de ser uma alternativa para as empresas no Brasil que, sejam elas matrizes ou filiais, acabam buscando suas associadas no exterior para captar a custos baixos”, explica.

Para o economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) André Leone Mitidieri, outro fator que também pode ter impacto nos investimentos ao longo do ano são as incertezas e a demora na aprovação da reforma da Previdência e as “informações desencontradas” quanto as relações exteriores.

“Muitas afirmações são conflituosas em relação à diplomacia comercial. Já a Previdência, apesar de não ter uma relação direta com a venda de mercadorias, com certeza interfere na questão dos investimentos. Quanto mais tempo a incerteza sobre a economia brasileira se mantém, mais os estrangeiros podem buscar substitutos na alocação de capital”, afirma.

Ainda segundo o boletim do BC, em março as saídas líquidas de investimentos em ações, fundos de investimento e títulos de dívida negociados no mercado doméstico somaram US$ 204 milhões, acumulando ingressos líquidos de US$ 10,5 bilhões em 2019, até março, após saídas líquidas de US$ 5,2 bilhões e US$ 4,5 bilhões ocorridas, na ordem, em novembro e dezembro de 2018.

Nos doze meses encerrados em março de 2019, as saídas líquidas atingiram US$ 4,4 bilhões, inferiores às saídas líquidas de US$ 12 bilhões ocorridas no acumulado de doze meses até fevereiro de 2019.

“A confiança é necessária para os investimentos estrangeiro e doméstico, mas não é o suficiente para levantar a economia. É preciso que o governo tenha capacidade de fazer as reformas e cumprir a agenda prometida”, diz Cagnin.

Ao mesmo tempo, a desaceleração da economia mundial e a menor demanda por produtos no exterior também têm limitado a dinamização da indústria brasileira.

Apesar da retração no superávit comercial, de US$ 6 bilhões para US$ 4,5 bilhões, houve recuo nos déficits das contas de serviços, de US$ 2,8 bilhões para US$ 2,1 bilhões, e de renda primária, de US$ 4 bilhões para US$ 3,3 bilhões.

Crise na Argentina . Para Cagnin, especificamente na indústria de produtos manufaturados, um outro fator de importância -– além da desaceleração do PIB mundial e dos conflitos geopolíticos e econômicos internacionais -– é a crise na economia argentina.

“O Brasil guarda muitas complementariedades com a Argentina e a relação comercial é estreita, principalmente no que diz respeito à cadeia automobilística. Todas essas questões do comércio internacional não têm dado margem para redinamizar a indústria brasileira. Isto sem contar os gargalos internos que também acabam prejudicando a competitividade dos nossos produtos e a produtividade em geral”, avalia o economista.

As exportações de bens totalizaram US$ 18,1 bilhões em março, redução de 9,7% ante o mês correspondente de 2018. A evolução recente das exportações reflete, dentre outros fatores, menores vendas de manufaturados no mercado argentino e interrupção da produção de minério de ferro em algumas unidades domésticas. Além disso, segundo Mitidieri, a dependência das exportações brasileiras em produtos primários traz maior sensibilidade para os indicadores.

“Dependemos de soja, petróleo e minério, e, dependendo da demanda por esses produtos no exterior, o nível das vendas na nossa balança comercial podem diminuir. O Brasil não está suprindo o crescimento que esperávamos para este ano”, concluiu Mitidieri. (do DCI)





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