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Itamaraty envia carta aos EUA por exclusão de sobretaxa

15/03/2018

Itamaraty envia carta aos EUA por exclusão de sobretaxa


O governo brasileiro enviou na terça-feira uma carta ao Departamento de Comércio americano pedindo a exclusão do aço brasileiro da sobretaxa de 25% anunciada pela Casa Branca na semana passada.

No documento, o Brasil reforça os argumentos de que não ameaça a indústria americana. A embaixada brasileira em Washington também decidiu ampliar a argumentação e está mapeando nos distritos eleitorais dos EUA empresas brasileiras que são empregadoras importantes. O objetivo é pressionar deputados a agirem a favor do Brasil, além de listar produtos americanos onde o Brasil é um mercado importante.

“Estamos agindo e temos muito contato com o Congresso. Ouvi de um deputado que os argumentos brasileiros são mais fortes que os canadenses (que foram excluídos, junto com o México, da nova taxa) -- afirmou a O Globo o embaixador Sergio Amaral.

O embaixador afirma que teve contato com o chefe do Escritório da Representação Comercial Americana (USTR) -- órgão que conduz as negociações bilaterais pelo governo dos Estados Unidos, embaixador Robert Lightthizer, dias antes de a decisão de Trump ser anunciada. Ele afirmou que tem esclarecido os pontos que comprovam que o Brasil não é uma ameaça à segurança americana e que a produção do aço nos EUA está interligada com o produto brasileiro.

Ele lembrou, por exemplo, que o aço brasileiro representa apenas 4,4% do mercado americano global, que siderúrgicas brasileiras já investiram mais de US$ 11 bilhões nos EUA, que o setor importa US$ 1 bilhão por ano de carvão siderúrgico americano e que 80% do que o Brasil exporta é em produto semiacabado, ou seja, matéria prima para a indústria americana.

Amaral explica que até o momento os americanos não pediram nada em troca do Brasil, apenas ouviram os argumentos. E que os próximos passos também dependem do setor privado brasileiro, que precisa mobilizar seus parceiros americanos.

Questionado se o Brasil não deveria estar mais presente em Washington -- o colunista Ancelmo Gois publicou em O Globo desta quarta-feira que o ministro argentino do comércio está na capital americana para fazer pressão --, o embaixador afirma que está tendo muitos contatos e que, na verdade, o Brasil já havia se antecipado.

“Nos encontramos com Wilbur Ross (secretário de comércio americano) antes da decisão de Trump, ou seja, estamos agindo há muito tempo, disse ele, que espera exclusão do Brasil da lista dos países porque a medida não se justifica.

Nesta quarta-feira, o presidente Michel Temer disse que se o Brasil não for excluído desta sobretaxa, poderá se juntar a outros países para recorrer à OMC. Questionado sobre quais poderiam ser estes países, o embaixador afirmou que é cedo dizer os nomes, pois é necessário aguardar primeiro a decisão final americana para saber se mais algum país será retirado da lista:

“Mas agora é um momento que todos estão conversando, é difícil antecipar. Mas os europeus já manifestaram que devem recorrer se forem atingidos por esta tarifa - disse Amaral. (de O Globo)





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