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Itaú lucra R$ 6,4 bilhões com provisão menor e tarifa maior

02/05/2018

Itaú lucra R$ 6,4 bilhões com provisão menor e tarifa maior


Com queda nas despesas com provisões para perdas em crédito e maior receita com a cobrança de tarifas, o Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,419 bilhões no primeiro trimestre.

O resultado representa uma alta de 3,9% na comparação com o mesmo período de 2017 e ficou pouco acima da projeção média de R$ 6,351 bilhões dos analistas consultados pelo Valor Econômico.

Mesmo em um cenário de queda de juros, o maior banco privado brasileiro obteve rentabilidade de 22,2%. O índice ficou acima dos 22% do mesmo período do ano passado e mais uma vez foi o maior entre as grandes instituições financeiras.

A margem financeira do banco -- que inclui receita com crédito e operações de tesouraria -- atingiu R$ 16,999 bilhões no primeiro trimestre, com alta de 0,3% em três meses, mas queda de 2,4% na comparação com o período de janeiro a março de 2017.

A queda na margem foi mais que compensada pela redução no chamado custo do crédito, que inclui despesas com provisões para calotes, impairment (baixa contábil) de títulos financeiros, descontos concedidos e recuperação de créditos baixados a prejuízo. No primeiro trimestre, o custo do crédito totalizou R$ 3,788 bilhões, com queda de 11% em três meses e de 28,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

A carteira de crédito do Itaú encerrou março em R$ 601,1 bilhões. O número representa um crescimento de 0,2% em relação a dezembro e de 2,4% na comparação com março do ano passado.

O volume maior reflete o desempenho das operações com pessoas físicas e com micro, pequenas e médias empresas no Brasil, e um forte aumento na carteira de América Latina. O estoque de crédito a grandes companhias continuou a encolher, o que já era esperado.

"Temos observado uma contínua e gradual recuperação da atividade econômica, que tem levado ao aumento da confiança de consumidores e empresários, notadamente no segmento de micro, pequenas e médias empresas", afirmou Candido Bracher, presidente executivo do Itaú, em comunicado.

A concessão de financiamentos a pessoas físicas pelo banco aumentou 31% no primeiro trimestre. No segmento de micro, pequenas e médias empresas, os desembolsos cresceram 27% em relação ao mesmo período de 2017.

A inadimplência (acima de 90 dias) na carteira do banco ficou em 3,1% no primeiro trimestre, estável em relação a dezembro e 0,3 ponto percentual inferior à de março do ano passado. O índice de atrasos na carteira de grandes empresas saltou de 1% em dezembro para 1,8% em março deste ano.

De acordo com o Itaú, o aumento reflete principalmente um cliente "que já estava adequadamente provisionado" e que no trimestre anterior se encontrava em atraso de 15 a 90 dias. Em março do ano passado, o índice de inadimplência de grandes companhias era de 1,6%.

Além da queda no custo do crédito, as receitas com prestação de serviços e seguros ajudaram no resultado do Itaú e atingiram R$ 10,1 bilhões no primeiro trimestre. O número representa um aumento de 7,3% na comparação com o período de janeiro a março do ano passado. O banco projeta um aumento de 5,5% a 8,5% nas receitas com serviços e seguros neste ano.

A receita com cartões de crédito avançou 6,5% na comparação com os três primeiros meses de 2017, para R$ 3,1 bilhões. A cobrança de tarifa de conta corrente rendeu R$ 1,8 bilhão ao maior banco, alta de 10,1%.

As despesas do Itaú aumentaram 6,1% na comparação com o primeiro trimestre, para R$ 11,7 bilhões. Sem considerar os gastos com as operações adquiridas do Citibank, o crescimento seria de 1%, segundo o banco.

Na "guerra das maquininhas", a Rede, empresa de de cartões do Itaú, registrou R$ 98,9 bilhões em transações no primeiro trimestre, um aumento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A base de equipamentos da Rede encerrou março em 1,115 milhão, uma redução de 3,6% no trimestre e de 20,2% em relação a igual mês do ano passado.

De acordo com o Itaú, a queda está relacionada a fatores como a migração para soluções que não usam POS e o aumento da concorrência no segmento, influenciada pela abertura de mercado. (do Valor Econômico)





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