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Juros bancários precisam cair mais rápido, diz Ilan

03/04/2018

Juros bancários precisam cair mais rápido, diz Ilan


O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse ontem que a instituição está trabalhando para fazer os juros bancários caírem de forma mais acelerada. "As taxas bancárias têm de cair mais rápido", afirmou, durante o seminário "A Retomada do Crescimento", promovido pela FGV, com o apoio do Valor Econômico, no Rio. "Também estamos trabalhando para que concessões subam mais rápido."

Ele citou estudo publicado pelo BC no relatório de inflação, na semana passada, que mostra que o spread vem caindo junto com os cortes na taxa básica, em linha com que ocorreu com os ciclos de distensão monetária anteriores. Mas ponderou que, apesar do recuo, o custo é alto no Brasil.

"O custo do crédito precisa convergir para algo mais parecido com o resto do mundo", disse. Segundo ele, os juros bancários devem cair a um patamar mais baixo, da mesma forma que a inflação, a taxa básica e os depósitos compulsórios convergiram para níveis mais próximos dos padrões internacionais.

"Os problemas não nasceram ontem, são de décadas", ponderou. "Mas não adianta adotar atalhos. O governo anterior tentou ver se puxava na marra através dos bancos públicos. Não deu certo."

Para o presidente do BC, será necessário insistir na agenda de reformas, fortalecendo garantias, diminuindo o custo Brasil e assegurando maior competição no sistema financeiro. "Tivemos uma redução relevante nos juros do cartão de crédito no ano passado", afirma, citando medidas que limitaram o uso das linhas rotativas nesse produto. "Estamos aguardando a autorregulação dos bancos para o custo do cheque especial."

Segundo reportagem do Valor publicada ontem, o peso do spread bancário sobre a taxa de juros cobrada de clientes e famílias vem aumentando nos últimos anos. Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que não comentaria o estudo sobre o peso crescente dos spreads citado na reportagem.

Sobre o projeto de autonomia do BC, Ilan disse que as perspectivas para a aprovação no Congresso são boas, apesar de 2018 ser um ano eleitoral. "Os projetos estão avançando, com um mandato muito claro para o BC, que é controlar a inflação", afirmou. "Entre os 60 maiores bancos centrais do mundo, somos o único diferente, sem autonomia em lei", disse.

Ilan voltou a alertar sobre os riscos das moedas virtuais, que ele chama de criptoativos. Segundo ele, os bancos centrais têm alertado que esses ativos podem dar a falsa impressão de ser moedas. O presidente do BC renovou a mensagem de política monetária, indicando a intenção de promover um novo corte de juros na reunião de maio e de fazer uma pausa no ciclo de distensão a partir de junho. (do Valor Econômico)





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