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Marcas de preço médio levam vantagem na crise

02/04/2018

Marcas de preço médio levam vantagem na crise


Num mercado em que a recessão fez da busca pelos produtos que ofereçam o melhor arranjo entre qualidade e preço uma obsessão, empresas que atuam na cola dos líderes de mercado, mas oferecendo preço mais acessível, aproveitam o aperto no bolso do consumidor para avançar.

A carioca Limppano, de produtos para limpeza, cresceu quase 11% em 2017.

“Crescemos perto de 12% ao ano há 13 anos. Temos sempre um preço melhor que o líder de mercado e, em alguns casos, melhor qualidade de produto. Então, nas crises, a gente surfa” -— conta Tarcísio Bravo Júnior, diretor comercial da empresa.

O desempenho no mercado fluminense — criada no Rio, a Limppano tem fábricas em Queimados e na Pavuna — está distante dessa onda de expansão. Registrou aumento de 2% em vendas em 2017, avanço engolido pela inflação.

“Ainda assim, estamos investindo R$ 8 milhões em nossa fábrica de Queimados, que vai triplicar a capacidade de produção. Estamos atentos à demanda do consumidor. Desenvolvemos a Toalex, por exemplo, rolo de tolhas de pano descartáveis, aliando praticidade e baixo custo” — destaca o diretor-geral, Alex Buchheim.

A Selmi, que reúne as marcas Renata e Galo, conhecida pela atuação no segmento de massas, cresce a reboque da demanda por biscoitos.

“Em 2017, nossas vendas subiram 15%. Sem contar os biscoitos, a alta seria de 9%. Como temos um produto na faixa mediana de preço, ganhamos ao investir em qualidade. Também por isso, crescemos 18% no Rio” — explica o diretor comercial, Marcelo Guimarães.

Em 2015, no início da recessão, a Selmi investiu em novo maquinário. Ano passado, as vendas dos biscoitos subiram 52%, após uma expansão de 40% em 2016.

Atacarejo. Já a Golden Foods, de congelados, como batata pré-frita, salgadinhos, pescado e vegetais, a maior parte importada, mudou o foco do negócio com a crise.

“Vendíamos para bares e restaurantes. Com a crise, reformulamos a operação para vender para o atacarejo, que está em expansão. Adequamos a linha, com embalagens e preços menores” — diz o diretor comercial da empresa, Thiago Monteiro. “As vendas de carnes nobres importadas caíram, mas as de batata pré-frita subiram 30%, e as de legumes, 15%.

Já a Copra Alimentos, que produz derivados do coco, como o óleo de coco extravirgem, cresce em linha com a demanda por alimentos saudáveis. Em dois anos, investiu R$ 10 milhões na fábrica instalada em Maceió (AL), dobrando a capacidade de produção e o faturamento.

“Focamos em novos produtos, como o Coco Aminos, um similar ao shoyo, mas feito de coco, e o néctar de coco, que pode ser usado como um mel ou melado. A demanda é crescente”, atesta Fernando Maranhão, gerente de Vendas da Copra.

Ele lamenta que no Rio, forte mercado em demanda por produtos saudáveis, o movimento seja de retração:

“No Rio, em 2017, as lojas reduziram as compras entre maio e setembro. Muitas lojas fecharam, e isso impactou o resultado, com uma queda de 25% nas vendas no estado.

Com o país fora da recessão, o preço médio da cesta básica no país deve fechar 2018 com crescimento acima da inflação medida pelo IPCA, do IBGE, estima a consultoria GfK. A retomada teve início em dezembro último, quando o valor da cesta avançou para R$ 449,02, chegando a R$ 451,10 em janeiro deste ano. Um ano antes, custava R$ 479,64.

Ao longo de 2017, a cesta básica ficou 7,1% mais barata. No Rio, essa queda foi ainda maior, de 12%, o que pode refletir a maior oferta de promoções no varejo fluminense, explica Marco Aurélio Lima, diretor da GfK.

Também o preço médio do Prato Feito Caseiro — que mede a variação do tradicional PF, mas calculado com base em ingredientes comprados pelo consumidor em supermercados e preparados em casa ao longo do mês, composto de arroz, feijão, batata, tomate e carne — recuou.

No Brasil, o prato feito chegou a janeiro custando R$ 7,58, preço 8,5% mais barato que o de um ano antes. No Rio, recou para R$ 5,97, queda de 10,2%. (de O Globo)





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