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Mercado instável recomenda que investidor seja cuidadoso

09/04/2018

Mercado instável recomenda  que investidor seja cuidadoso


A ameaça cada vez maior de guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo — Estados Unidos e China — e a incerteza no cenário político brasileiro acabaram levando à volatilidade dos mercados às alturas.

Nesse cenário, decidir onde aplicar seus recursos requer maior dose de cautela por parte dos investidores. Na avaliação de especialistas, o ideal, neste momento, é evitar movimentações bruscas e manter o foco no planejamento de longo prazo.

A pressão negativa, nas últimas semanas, tem vindo do exterior, com uma política comercial mais restritiva dos Estados Unidos em relação à China, que tem respondido às ofensivas no mesmo tom. Isso causou desconforto e fez a volatilidade subir novamente.

O VIX, índice da Bolsa de Chicago que mede as movimentações de mercado, voltou a passar dos 20 pontos na semana passada. Conhecido como o “índice do medo”, ele até está abaixo de sua máxima no ano, mas, ainda assim, está em um patamar acima do dobro do registrado no início do ano.

Internamente, a economia brasileira até está melhorando, mas a incerteza no quadro político, em que ainda não há clareza sobre a sucessão presidencial, pode atrapalhar ou, no mínimo, retardar essa retomada.

Na avaliação de Luis Fernando Marcondes, diretor da Noronha Consultoria Financeira, nessas horas o investidor precisa manter o seu planejamento, que deve contemplar uma carteira de investimentos diversificada. Para o especialista, é preciso ter investimentos em renda fixa, onde estará a parcela dos recursos que vai garantir alguma liquidez, em renda variável (ações) e moedas.

“As pessoas são imediatistas e acreditam que têm de agir rápido em uma crise. Mas não adianta se posicionar quando ela acontece. O importante é se prevenir antes que ela aconteça, e a melhor proteção, sempre, é a diversificação nas classes de ativos”, explica Marcondes.

Essa estratégia de diversificação vai variar de acordo com os objetivos e perfil de risco de cada investidor, mas, ainda assim, é possível buscar opções mais defensivas nos diferentes tipos de ativos.

O investimento em ações é o que apresenta maior volatilidade, mas também é o que pode propiciar maior ganho. O Ibovespa perdeu nas últimas semanas o recorde batido nesse ano.

No entanto, ainda acumula uma alta de 11% no ano — o Dow Jones, principal índice da Bolsa de Nova York, já voltou para o negativo e recua 0,60% em 2018.

Para analistas, é um bom momento para comprar papéis de empresas que estão em trajetória de crescimento e que, ao mesmo tempo, são consideradas defensivas, ou seja, tendem a perder menos em momentos de forte volatilidade.

“Uma concentração em ações muito voláteis não é adequada. É preciso buscar proteção nas defensivas. O setor financeiro é uma boa opção. Papéis de grandes bancos e seguradoras têm apresentado resiliência nos resultados, e as empresas também distribuem dividendos” — avalia Alexandre Wolwacz, diretor da Escola de Investimentos L&S.

Ele também vê como uma boa opção as ações de empresas de locação de veículos, como Movida e Localiza.

Renda fixa. Ivan Kraiser, gestor-chefe da Garin Investimentos, concorda que o cenário econômico continua a favorecer os investimentos em ações, apesar da incerteza no campo político. No entanto, é preciso estudar bem a empresa na qual se pretende investir. Uma sugestão é dar preferência àquelas que fazem uma boa distribuição de dividendos (parte do lucro que é paga aos acionistas).

“O noticiário é cinzento, mas estamos em meio a um ciclo de crescimento, e isso aumenta a demanda das empresas. Gostamos da Sanepar (companhia de saneamento do Paraná). A Taesa (transmissora de energia elétrica) e a Movida também são boas opções, devido aos dividendos”, diz Kraiser.

Já para quem tem um perfil mais moderado, Kraiser lembra que, diferentemente do que ocorria no passado, o investimento em renda fixa não garante mais ganhos expressivos. Isso porque a taxa básica de juros, a Selic, está em seu menor patamar histórico: 6,5% ao ano. Por essa razão, será preciso procurar títulos de maior risco, como os de crédito, ou buscar fundos multimercados, que aplicam em mais de um ativo.

“Um CDB (Certificado de Depósito Bancário) já não vai garantir um grande ganho real. Uma opção são os multimercados, em que o gestor pode fazer a arbitragem entre os ativos ou investir no mercado futuro”, indica Kraiser, da Garin.

Ele lembra que, de maneira geral, esses fundos têm uma taxa de administração em torno de 2%. Por isso, é importante olhar o histórico de rentabilidade desses fundos, para saber como eles reagem em cenários mais adversos. Afinal, a taxa de administração vai comer parte do rendimento da aplicação. (de O Globo)





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