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Moedas emergentes enfrentam o pior mês em mais de 6 anos

30/08/2018

Moedas emergentes enfrentam o pior mês em mais de 6 anos


Com dois pregões para encerrar o mês, agosto caminha a passos largos para se tornar o pior mês para as moedas emergentes em mais de seis anos. E a sangria se intensificou ontem, com as duas divisas mais alvejadas por vendas em 2018 novamente na linha de tiro.

Apenas na quarta-feira, o peso argentino caiu nada menos que 7,3% -- o que, a depender das fontes dos dados, é a maior queda para um dia desde a maxidesvalorização de dezembro de 2015.

A moeda argentina terminou a 33,897 por dólar, mais uma dentre tantas mínimas histórias atingidas neste ano. "Simplesmente o ajuste de conta corrente esperado para o país não está acontecendo", diz Ilya Gofshteyn, estrategista para a América Latina do Standard Chartered Bank de Nova York.

O colapso do peso se deu após notícias de que o governo de Mauricio Macri solicitara ao Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipação de recursos previstos apenas para o ano que vem, o que foi entendido como sinal de que o país segue em grande dificuldade para ajustar suas contas.

Entre as quedas do dia, a lira turca veio em segundo lugar, com baixa de 2,8%, cotada a 6,4367 por dólar. Neste mês, a lira cai 24% (maior baixa mensal em 18 anos), enquanto o peso recua 19% -- pior desempenho desde dezembro de 2015.

Isto ajuda a explicar o tombo de 4,8% de um índice do Deutsche Bank para moedas emergentes -- incluindo o real. Nesse ritmo, o índice fechará agosto com o declínio mais forte desde maio de 2012, quando cedeu 6,6%.

Em comum, Argentina e Turquia sofrem com elevados déficits em conta corrente, grande dependência de financiamento externo e desequilíbrios inflacionários e de crescimento econômico.

O governo turco tem o agravante de resistir às demandas do mercado por mais altas nos juros. Essa ferramenta até tem sido utilizada pelo governo argentino. Porém, em meio a um baixo nível de reservas cambiais, que acabam deixando o mercado local mais exposto a ataques especulativos. Desde meados de junho, o BC argentino já queimou US$ 8,4 bilhões de suas reservas, o que não impediu a contínua queda livre do peso.

As moedas dos dois países exibem de forma mais extrema os pontos de fragilidade para emergentes, mas são seguidas por quedas de dois dígitos em outros pares. Se o peso argentino perde 45% no ano e a lira turca recua 41%, o real brasileiro cede 20%, com rublo russo (-15%), rand sul-africano (-14%) e rupia indiana (-10%) na sequência.

O Goldman Sachs fez um exercício para avaliar os impactos sobre emergentes a partir de três variáveis: crescimento em mercados ricos, condições financeiras e preços do petróleo. A conclusão é que o "impulso positivo" da aceleração da atividade econômica no mundo desenvolvido em 2016 e 2017 está perdendo força e sendo substituído pelos efeitos "negativos" do aperto das condições financeiras e da alta nos preços do petróleo.

"De forma agregada, a transição de ventos favoráveis para ventos contrários implica desaceleração entre 1,0 ponto percentual e 1,5 ponto percentual [ao ano] no crescimento trimestral previsto até o fim do ano", diz Kevin Daly, economista sênior para o banco, para quem o ambiente para emergentes está "cada vez mais desafiador". (do Valor Econômico)





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