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Opção ao parcelado sem juros vai ficar para o próximo ano

14/03/2018

Opção ao parcelado sem juros  vai ficar para o próximo ano


Um dos temas mais polêmicos entre as mudanças que estão sendo estudadas na indústria de cartões -- as alterações no chamado parcelado sem juros na função crédito -- deve ficar para 2019. Em meio às resistências dos consumidores e receios dos lojistas, um acordo para oferecer uma alternativa a esse tipo de operação ainda deve levar algum tempo.

O diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Fernando Chacon, afirmou que a ideia é dar um tempo para as credenciadoras e lojistas se prepararem para oferecer a opção de um parcelado com juros -- espécie de crediário -- com a mesma experiência dos demais pagamentos.

Durante o Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos, realizado ontem em São Paulo, ele reforçou que não haverá uma substituição do parcelado sem juros e sim uma nova opção para os compradores, que terão a possibilidade de dividir em mais parcelas.

O plano é que os juros pagos pelo consumidor nessa opção sejam usados para repassar o pagamento aos lojistas de maneira mais rápida do que é feito atualmente, em que os empresários recebem em até 30 dias após a venda.

"Está previsto para 2019, porque existe toda uma agenda de preparação do parque instalado para conseguir o mesmo padrão de experiência em todos os adquirentes", afirmou, lembrando que o parcelado sem juros representa 58% das transações com cartão de crédito.

As partes discutem mudanças nessa modalidade de pagamento de maneira a se aproximarem das práticas internacionais e também como forma de reduzirem o volume de moeda em circulação.

O presidente da Abecs também falou sobre eventuais mudanças nas faturas do cartão de crédito, que estão sendo estudadas em conjunto com o Banco Central. Ele afirmou que a ideia, a princípio, é ouvir os clientes e descobrir a melhor maneira de apresentar todos os dados presentes no documento. "Temos muita instrução por lei que restringe fazermos uma melhor comunicação para o cliente", afirmou.

No evento ainda foram apresentados alguns números do setor. O valor movimentado pelos cartões de crédito em 2017 cresceu 12,4% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 842,6 bilhões. Os cartões de débito tiveram alta de 12,6% e atingiram R$ 508 bilhões. Já os cartões pré-pagos movimentaram R$ 6,6 bilhões, com expansão de 68,8%. As compras não presenciais, feitas tanto pelo computador quanto por meio de aplicativos, movimentaram R$ 167,6 bilhões, um aumento de 16,5%.

Segundo Chacon, existem oportunidades para o cartão de crédito ser usado como uma forma de financiamento no Brasil. Ele aponta que em 2017 a inadimplência nesse instrumento foi de 6%, sendo 5,2% para pessoa física.

Chacon destacou os efeitos da mudança nas regras do rotativo, cuja taxa de juros saiu de mais de 400% para 207,1%. "É uma redução muito relevante". Segundo ele, após essa alteração, cinco de cada 100 consumidores do cartão de crédito entram no rotativo, de acordo com os dados da Abecs.

O executivo também comentou sobre a taxa de desconto (MDR) que é cobrada dos lojistas para o pagamento via cartão, que vem caindo e pode incentivar ainda mais o uso desses instrumentos. A média da MDR nos cartões de crédito é de 2,6%. No débito, é de 1,45%. Segundo Chacon, a entrada de novos players possibilitou essa mudança. (do Valor Econômico)





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