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País pode deixar de exportar mais de US$ 1 bi para Argentina

25/07/2018

País pode deixar de exportar mais de US$ 1 bi para Argentina


Mais do que a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a crise na Argentina é, hoje, o grande fator de preocupação na balança comercial brasileira, na opinião do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Segundo ele, enquanto a imposição mútua de sobretaxas no intercâmbio entre americanos e chineses só vai se refletir nas exportações brasileiras de commodities a partir de 2019, os problemas econômicos enfrentados pelos vizinhos, como recessão, desemprego, desvalorização cambial e uma dura cartilha macroeconômica a ser seguida em troca de dinheiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), farão com que os argentinos reduzam, no mínimo, em 10% suas importações de manufaturados do Brasil já neste semestre, especialmente automóveis. Isso significa algo em torno de US$ 1 bilhão.

“A Argentina é um problema real e concreto, enquanto a guerra comercial ainda gera expectativas”, disse Castro.

Segundo ele, 75% da soja colhida no Brasil, praticamente toda destinada ao mercado chinês, já embarcou. Os exportadores brasileiros se beneficiaram, no início deste ano, com o aumento do preço do produto nas bolsas internacionais, devido à quebra da safra de soja na Argentina, que significou uma redução de 14 milhões de toneladas. Com isso, a tonelada do produto já subiu, neste ano, de US$ 380 para US$ 400.

“A guerra comercial terá impacto sobre as commodities a partir do ano que vem. Já a crise Argentina afetará em cheio as nossas exportações de manufaturados ainda no segundo semestre de 2018”, disse o presidente da AEB.

Camila Sande, assessora de negociações internacionais da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse que é impossível prever, pelo menos por enquanto, o que acontecerá com o Brasil nesse cenário de guerra comercial. Em sua opinião, independentemente de quando a disputa entre os dois gigantes terá impacto no comércio exterior, os produtores e exportadores brasileiros precisam se preparar para atender à demanda.

“Em 2014, quando a Rússia suspendeu as importações de inúmeros produtos da União Europeia, o Brasil se beneficiou por um tempo, mas não soube consolidar esse mercado, principalmente de lácteos”  — disse.

O ministro de Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, acredita no pleno restabelecimento da Argentina, tendo em vista as medidas que estão sendo adotadas pelo governo do presidente Macri. Ele lembrou que a Argentina é o principal parceiro comercial do Brasil na América Latina.

“A Argentina é um mercado muito importante, para onde exportamos majoritariamente produtos manufaturados”, afirmou.

Sobre a guerra comercial EUA x China, ele enfatizou que esse tipo de disputa é algo sempre danoso para o comércio mundial. O ministro admitiu que o Brasil pode até ter algum ganho eventual para determinada empresa ou setor.

“Mas o saldo nunca é positivo. Da perspectiva brasileira, ainda não há impactos estatísticos nas nossas exportações e importações. Também não há notícias de impacto sentido pelos setores. Porém, seguimos monitorando nossas relações comerciais”. (de O Globo)





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