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Países propõem ao FMI fundo para refugiados venezuelanos

20/03/2018

Países propõem ao FMI fundo para refugiados venezuelanos


Brasil, Argentina, Alemanha, Canadá, Chile, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Itália, México, Peru, Paraguai e Reino Unido decidiram propor ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a criação de fundo para ajudar milhares de refugiados venezuelanos em países fronteiriços.

Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a decisão foi tomada durante reunião de ministros da área econômica realizada ontem em Buenos Aires, onde foi discutida a situação da dívida e dos refugiados da Venezuela.

"Foi levantada a hipótese, a ser discutida na próxima reunião do FMI, em abril, em Washington, da organização de um fundo multilateral que possa ser usado na assistência, acomodação e direcionamento dos refugiados", disse Meirelles, presente ao encontro do G-20, na Argentina.

Só no Brasil, de acordo com Meirelles, há registro de entrada de cerca de 40 mil venezuelanos, principalmente no Estado de Roraima. O caso mais grave relacionado ao trânsito nas fronteiras ocorre na Colômbia, com a entrada de 300 mil venezuelanos.

Os ministros também discutiram questões econômicas relacionadas à Venezuela. "No caso específico do Brasil, mencionamos o problema da dívida da Venezuela com o país, resultado principalmente do comércio exterior e da decisão do governo brasileiro de cobrar o pagamento da dívida superior a US$ 1,3 bilhão. Eles estão em processo de pagamento do que já venceu", disse Meirelles.

Sobre as medidas protecionistas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, um dos principais temas da agenda do G-20, Meirelles afirmou que elas não funcionam no longo prazo e provocam recessão. Segundo o ministro, a sobretaxa do aço, que deve ser aplicada dentro de quatro dias, prejudicará, principalmente, os Estados Unidos.

"Estamos num momento de abertura comercial, defendendo um acordo do Mercosul com a União Europeia e a Aliança do Pacífico. A atitude do governo americano é negativa para a própria economia americana, porque aumentará custos internos", afirmou. Para Meirelles, os EUA estão voltando a políticas da década de 30, que não deram certo. "Teve efeito extremamente negativo. Acentuou a recessão global."

O ministro da Fazenda terá hoje uma reunião com o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, em Buenos Aires. A pauta do encontro não foi divulgada, mas é possível que gire em torno da sobretaxa ao aço. Ontem o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, encontrou-se com Mnuchin e pediu para que o aço argentino fosse excluído da medida.

Esse foi o terceiro pedido do governo argentino para ficar isento da sobretaxa. A primeira negociação foi tentada pelo presidente Mauricio Macri, em telefonema ao presidente Donald Trump. Na semana passada, Macri enviou aos EUA o secretário de Comércio Exterior, Miguel Braun.

Meirelles voltou a dizer que vai decidir até 7 de abril sobre sua eventual candidatura à Presidência "Estamos na etapa inicial do processo de escolha e é prematuro discutir formulação de candidaturas de centro", disse. (do Valor Econômico)





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