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Parceria com banco BTG busca investidor para fundo de cinema

18/07/2018

Parceria com banco BTG busca investidor para fundo de cinema


Participar como figurante, ser apresentado a um ator, visitar o set de filmagens. A gestora carioca Investimage, especializada em Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional (Funcine), já recebeu uma série de pedidos inusitados de empresários que aderem ao investimento em filmes, produtoras e salas de cinema.

“É um mercado que desperta curiosidade, mas ainda é visto como pouco rentável”, diz Alexandre Montenegro, sócio da Investimage.

Este é o desafio que a gestora quer encarar: mostrar que investir no setor de cinema pode ter retorno financeiro e atrair também os investidores de varejo. Para isso, a Investimage fechou uma joint venture com o banco BTG Pactual, que começa a funcionar neste segundo semestre, para distribuição, administração e custódia de Funcine.

Além disso, o BTG assume uma cadeira no conselho da Investimage, participando da discussão dos projetos a investir.

Montenegro se juntou à equipe da Investimage há menos de um ano, com a missão de ajudar a companhia a aumentar sua base de cotistas. Seu perfil difere dos apaixonados por produções independentes e que ditam filmografia de cineastas — como o próprio fundador da gestora, o francês Thierry Peronne, que tem mais de 25 anos no setor e foi diretor de uma produtora de TV e cinema. “Não sou cinéfilo, olho a lógica de investimento”, afirma Montenegro.

Os fundos desse tipo podem investir em produção e distribuição de filmes, construção e reforma de salas de cinema, além de ter participação acionária em produtoras.

O maior apelo costuma ser fiscal. Pessoas físicas podem deduzir até 6% do imposto de renda nas operações com o Funcine e empresas, 3%. Como é investimento e não patrocínio, não há impacto no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa no balanço — diferentemente dos incentivos culturais cedidos na Lei Rouanet, que entram como despesa.

Apesar de criado no Brasil há 17 anos, o veículo é pouco usado. Ainda é um mercado pequeno no Brasil. A Investimage, por exemplo, gere R$ 44 milhões em sete fundos e tem mais R$ 60 milhões em captação em quatro carteiras novas. Outra gestora com atuação no setor, a Lacan, gere três fundos do setor. Conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os fundos da Lacan somam R$ 20 milhões em patrimônio.

A parceria com o BTG pode ajudar a ampliar a captação. “Com uma plataforma de banco, a distribuição pode aumentar para chegarmos a R$ 150 milhões em dois anos”, estima Montenegro, sem contar os novos fundos já em captação. “O banco coloca na linha de produtos, com força de vendas e exclusividade.”

O BTG pode eventualmente colocar os fundos de cinema também na plataforma digital para investidores pessoa física, destaca Montenegro. Segundo o banco, essa distribuição na plataforma ainda está em estudo.

Uma das dificuldades de crescimento desse mercado desde a criação, segundo Montenegro, é que a abordagem de gestoras e produtoras era feita basicamente com as áreas de marketing das empresas, com o apelo do apoio cultural.

“Hoje falamos com o diretor financeiro sobre como isso impacta positivamente o balanço e o imposto, e que tipo de retorno pode dar além da exposição de marca”, explica.

Segundo ele, essa foi a abordagem usada, por exemplo, para criar um Funcine do grupo hospitalar Rede D’Or, em fase de estruturação. Para ficar mais confortável com o investimento, foi a empresa que demandou um administrador de grande porte — e foi aí que a Investimage e o BTG se aproximaram.

Além da participação em mais de 35 filmes nacionais, como “Bingo, o Rei das Manias” e “Vai que Cola”, a Investimage também tem participação em seis produtoras nacionais: Conspiração, Bossa Nova, Glaz, Oca, Copa Studio e AfroReggae.

Além de dividendos, essas participações também geram resultado no momento do desinvestimento. Hoje, a gestora está negociando a venda de sua participação na produtora Conspiração.

“A meta de retorno dos fundos, no geral, gira em torno de 10% a 20% sobre o capital investido em cinco anos”, diz o executivo. É menor do que a taxa interbancária, por exemplo — mas é uma aplicação com recurso que iria para o imposto de renda, e não para outro investimento, ressalta. (do Valor Econômico)





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