BLOG

Prisão divide adversários, enquanto Planalto se cala

06/04/2018

Prisão divide adversários, enquanto Planalto se cala


A expedição do mandado de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá até às 17h para se entregar à Polícia Federal (PF), levou petistas e outros partidos de esquerda a reforçarem o discurso de perseguição, dizendo que ainda cabia outro recurso ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região antes do encarceramento, e até incitarem o descumprimento da decisão.

Adversários tentaram desconstruir o discurso de vitimização, lembrando que o cinco dos seis ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizaram a prisão foram nomeados pelo PT.

A prisão gerou reação negativa até em partidos da base do presidente Michel Temer e que fizeram parte dos governos petistas. "Lula é um líder e essa decisão do STF dividiu o país. Foi muito ruim. O [juiz Sergio] Moro deveria ter esperado os embargos. Não tinha por que ter pressa, já que o Lula nunca fugiria do país", afirmou o líder do PR na Câmara, deputado José Rocha (BA).

O governo Temer decidiu não se pronunciar, embora se trate da detenção de um ex-chefe de Estado. O presidente Michel Temer estava em seu gabinete, acompanhado dos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Carlos Marun (Governo) e, apesar do silêncio, acompanhou pela TV os desdobramentos do caso.

Interlocutores de Temer fazem duas avaliações do episódio. De um lado há percepção de que o recolhimento de Lula significa, ao fim e ao cabo, que ninguém está imune às decisões judiciais. Há uma apreensão diante da continuidade dos inquéritos que têm Temer como investigado no Supremo Tribunal Federal.

Até há algumas semanas, antes de se consumar o julgamento do habeas corpus preventivo, diante do mistério em relação ao voto da ministra Rosa Weber, que acabaria por levar à rejeição do recurso, havia no Palácio quem repetisse que o Supremo não teria "coragem" de prender Lula. Diante deste cenário, a avaliação é que o fato representa um "revés para toda a classe política".

Outra interpretação é que a eliminação de Lula do jogo eleitoral não favorece, diretamente, um dos pré-candidatos do governo à sucessão presidencial. Ao contrário, nas palavras de um auxiliar presidencial, os beneficiários diretos seriam o deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL, e Ciro Gomes, pré-candidato do PDT, representante mais sólido de centro-esquerda.

Já para o secretário-geral do PSDB, o deputado federal Marcus Pestana (MG), Ciro só herdará os votos com um improvável apoio do PT. "Não acho que o PT esvazia. Ao contrário, a vitimização pode fortalecer o [ex-prefeito Fernando] Haddad ou o [ex-governador] Jaques Wagner", disse. "Ele [Lula] vem sendo bombardeado com todo o noticiário sobre a Lava-Jato e mostra resistência, se mantém líder de 30% da população e pode transferir parte disso", afirmou.

Petistas pregaram que Lula não cumprisse a ordem de prisão. "Inaceitável. Lula e advogados decidirão e têm meu apoio, mas não creio, por ser inocente, que Lula deva se entregar em Curitiba", disse a deputada Maria do Rosário (PT-RS). "Diante da escalada do arbítrio, temos direito à resistência", afirmou a senadora Fátima Bezerra (PT-RN). (do Valor Econômico)





Cursos