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Queda de Parente altera ânimo quanto às ações da Petrobras

04/06/2018

Queda de Parente altera ânimo quanto às ações da Petrobras


A saída de Pedro Parente do comando da Petrobras pegou o mercado de surpresa e trouxe novo tombo para as ações na sexta-feira, com desvalorização de 14,9% para as preferenciais.

Os papéis só permaneceram no "top 10" da Carteira Valor em junho, com três indicações, porque as corretoras participantes enviaram suas sugestões no fim de maio, antes do feriado, conforme o regulamento. Consultadas após o episódio, só a estreante Elite Investimentos teria mantido a petrolífera na sua seleção do mês.

A expectativa de que o estresse provocado pela greve dos caminhoneiros aceleraria a renegociação do contrato de cessão onerosa pelo governo com a Petrobras levou a Spinelli Corretora a manter as ações da estatal nas suas recomendações antes da queda Parente.

Segundo o analista Glauco de Castro Legat, depois de o ativo ser castigado na bolsa pelos desdobramentos da paralisação, uma das formas de o governo compensar o subsídio à redução do preço do diesel seria levar os leilões do pré-sal adiante.

"Seria uma fonte prática de receita para o governo, que teria um valor expressivo a receber, resolveria o descasamento fiscal com a retirada do PIS/Cofins [do preço do diesel]", afirma.

Junto com a renegociação do contrato que cedeu à Petrobras o direito de produzir até 5 bilhões de barris no pré-sal, como parte da megacapitalização da companhia, em 2010, tramita na Câmara um projeto de lei que pode ajudar a União e a petroleira a fecharem um acordo.

O texto prevê que a Petrobras libere até 70% de sua participação nas áreas da cessão onerosa e que a União pague a petroleira em dinheiro ou títulos de dívida pública, mas há conversas para que a compensação seja feita em barris.

Para Legat, embora ainda seja um papel promissor, se houver um cenário em que o novo comando siga a cartilha de Parente, a recomendação agora não é mais de compra. "O investidor estaria pagando um prêmio alto de forma antecipada e confiando muito num 'call' político", diz.

A Magliano Corretora não tinha em perspectiva a saída de Parente quando manteve as ações da empresa nas suas indicações. Ainda assim, o analista Sérgio Goldman diz que entre os riscos que pesou para fazer a indicação já considerava a mudança na política de preços de combustíveis.

"A premissa era de que qualquer alteração manteria a capacidade de geração de fluxo de caixa da companhia num nível confortável, de maneira suficiente para remunerar acionistas e credores."

Sua hipótese era de que uma mudança na política de reajuste nas refinarias poderia ser compensada pelo corte de custos, de um lado, e pelas contrapartidas do governo, de outro.

"De qualquer forma, era uma saída ruim para a sociedade, pelo impacto fiscal e que também tem um efeito sobre os preços dos ativos brasileiros de maneira geral."

Mesmo com a indicação de um presidente tampão até a mudança de governo, Goldman não considera que o plano de venda de ativos da petrolífera esteja comprometido. Embora tenha retirado a ação das suas indicações top 5, o analista diz que não é hora de vender o ativo. O investidor que tiver perfil de longo prazo e tolerância a risco pode até aproveitar o momento para comprar.

A Elite teria sugerido o papel mesmo após a substituição de Parente, segundo o analista Alexandre Marques Filho. "Pode ser que durante junho, com o mercado mais calmo e alguma indicação de um interino [Ivan Monteiro, diretor financeiro e de relações com investidores, foi confirmado no posto] que siga as mesmas diretrizes, a ação se recupere."

Ele cita que por mais que Parente seja um nome importante, pois dava credibilidade pela política de preços e pela melhora da governança, o que importa agora é saber se a política de gestão da empresa será preservada.

Marques Filho afirma que a primeira reação no mercado é de investidores movidos pelo desespero, mas ele diz que não é hora de vender. "Pode ser uma boa oportunidade de compra? Pode, mas não sabe se vai comprar melhor na segunda."

Em sua recomendação, feita antes do feriado, a Elite justificava o investimento pelo foco da empresa na melhora da alavancagem financeira, redução nos investimentos futuros e um plano bem-sucedido de corte de custos. (do Valor Econômico)





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