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Ruralistas admitem rever fusão de Agricultura e Meio Ambiente

24/10/2018

Ruralistas admitem rever fusão de Agricultura e Meio Ambiente


Um grupo de empresários do agronegócio fez uma visita ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na manhã desta quarta-feira, em sua residência na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Segundo o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, o grupo tem cerca de 40 pessoas e representa produtores de vários segmentos da agricultura e da pecuária de "praticamente todos os estados".

Após o encontro, eles admitiram rever proposta de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, e também a possível saída do país do Acordo de Paris.

Antes do encontro, Garcia afirmou que o grupo veio reiterar seu apoio a Bolsonaro e reforçar "algumas demandas importantes", como o direito à propriedade para produtores rurais, e que o BNDES não atenda "só os amigos do rei".

O presidente da UDR desconversou sobre sua eventual indicação para Ministro da Agricultura -- durante a campanha, seu nome chegou a ser cotado para a pasta.

Segundo ele, sua visita a Bolsonaro não se deve a "ambições pessoais". Apesar disso, o presidente da UDR chegou a dizer que via com bons olhos uma possível fusão entre as pastas, e afirmou que um processo semelhante deve ocorrer entre outros ministérios. Para ele, a fusão entre Agricultura e Meio Ambiente não representa uma flexibilização dos limites de desmatamento.

“Não temos o objetivo de obter um alvará de impunidade. Temos uma legislação. Quem cometer alguma infração tem que ser punido”, afirmou.

Após a visita, que durou cerca de uma hora, o presidente da UDR, no entanto, admitiu que poderia rever a ideia de fundir a pasta ao Ministério do Meio Ambiente, que havia sido apresentada a Bolsonaro pelo próprio Nabhan. Ele, inclusive, chegou a defendê-la ao falar com jornalistas na chegada à casa do presidenciável, na Barra da Tijuca:

“Muito positiva (a fusão). Essa é uma das razões para o setor produtivo estar aqui. Quem está aqui é a base produtora, que paga impostos, trabalha, e por isso se sente no direito de dizer que essa fusão é muito bem-vinda. Até porque tem que haver essa fusão. O programa de governo do Bolsonaro, que será respeitado, fala em reduzir de 39 para 15 ministérios. Então não é só na questão da Agricultura e Meio-Ambiente. Haverá fusões em outras pastas também” - disse Nabhan.

Após o encontro, no entanto, ele parece ter revisto seu ponto de vista.

“Tem um ponto extremamente positivo que levamos: podemos, inclusive, rever essa questão da fusão da pasta da Agricultura com o Meio-Ambiente. Vai valer a vontade da maioria da sociedade”, afirmou.

Perguntado se o discurso não era uma mudança de posição, Nabhan mostrou incômodo:

“Ninguém pode ter um governo duro, autoritário, sem flexibilidade, com arrogância. Se for o melhor para o Brasil, depois de eleito todos vão sentar e ele vai ouvir toda a sociedade. É inevitável a fusão de várias pastas. Porém, estamos ouvindo a todos. Se tiver que haver flexibilização, haverá.

Em entrevistas recentes, Nabhan Garcia se disse favorável à manutenção do Código Florestal aprovado neste ano - que prevê, por exemplo, a preservação de 80% da floresta na Amazônia pelos proprietários rurais. O presidente da UDR afirmou, por outro lado, que é preciso rever alguns pontos do Acordo de Paris, aprovado pela comunidade internacional em 2015 e que visa à redução das emissões de carbono. No ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada do país do Acordo de Paris.

“É evidente que ninguém quer acabar com o Acordo de Paris, mas alguns pontos precisam ser revistos. Por exemplo: desmatamento zero. (O certo é) Desmatamento ilegal zero. Temos uma legislação, ninguém pode passar por cima dela. Não podemos aceitar que países que não fizeram sua parte (na questão ambiental) queiram impor regras ao Brasil. (de O Globo)





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