Sindicato de bancos deve destravar apoio às aéreas

17/04/2020



A formação de um sindicato de bancos, coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para apoiar grandes empresas em dificuldades, deve destravar as negociações no setor aéreo, segundo fontes com conhecimento do assunto.

Até agora, as tratativas, para um aporte em Gol, Latam e Azul, vinham esbarrando na falta de consenso para precificar as debêntures conversíveis que podem ser emitidas pelas companhias aéreas e subscritas pelo BNDES.

Com a formação do sindicato, antecipada pelo Valor Econômico, forma-se um fórum único de interlocução que reúne as empresas e os bancos, que são simultaneamente credores e financiadores dessa indústria.

Uma fonte do BNDES afirmou que foi importante trazer os bancos privados para a mesa de negociação de forma a fazê-los participar com a sua cota de “sacrifício”, uma vez que essas instituições comerciais são as grandes credoras das empresas aéreas brasileiras.

O BNDES também buscou trazer o Tribunal de Contas da União (TCU) para as discussões, de forma a reduzir o risco de questionamentos futuros. Na semana passada, o presidente do TCU, ministro José Múcio Monteiro, e o relator do BNDES no tribunal, ministro Aroldo Cedraz, se reuniram com o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para tratar das medidas que estão sendo adotadas pelo banco.

“Neste momento, o Tribunal busca atuar tempestivamente e contribuir para a tomada de decisão dos gestores, para a segurança jurídica dos atos e para a transparência das ações governamentais, a fim de minimizar riscos e de forma que não ocorra a paralisação nas ações de combate à pandemia”, disse o TCU em nota.

O apoio do BNDES ao setor aéreo será analisado em processo do TCU (número 016.780/2020-5), que faz parte do Plano Especial de Acompanhamento das Ações de Combate à Covid-19 e às suas Consequências, lançado pelo tribunal.

O processo também deve examinar outras medidas adotadas pelo banco para minimizar os danos econômicos provocados pela pandemia.

O entendimento com o TCU é importante para dar segurança ao BNDES na tomada de decisões, uma vez que há diversos processos em andamento no tribunal que questionam apoios concedidos pelo banco a empresas privadas no passado recente.

Pelo lado da operação financeira em si de apoio ao setor, a formação do consórcio de bancos parece ter dado novo ânimo às negociações:

“A grande novidade é a formação do sindicato, pois as negociações até agora não vinham andando”, disse uma fonte. No domingo, completam-se três semanas desde que o BNDES anunciou que estudava aportes nas empresas aéreas brasileiras via subscrição de debêntures conversíveis.      Estimativas não oficiais indicaram, nos dias seguintes, que o aporte em cada uma das três grandes empresas brasileiras do setor aéreo pode chegar a R$ 3 bilhões. O BNDES não fala em cifras pois ainda não foi apresentado o desenho final das operações.

Na quarta-feira, o Valor noticiou que o sindicato de bancos, coordenado pelo BNDES, deve envolver operações combinadas de debêntures conversíveis e “warrants”, que são opções de compra de ações associadas a emissões de títulos privados.

Até agora, uma das dificuldades para o avanço das negociações foi a falta de acordo em torno da precificação das debêntures. O BNDES seria favorável a usar o preço de mercado das ações das companhias aéreas -- muito depreciadas com a crise -- como referência para a subscrição, enquanto as empresas consideravam mais justo aplicar, para efeitos do cálculo, um período anterior à pandemia do coronavírus.

A discussão remete ao grau de diluição que os acionistas das empresas aéreas poderão enfrentar, dependendo do preço definido nas operações financeiras de apoio ao setor.

Fontes das aéreas dizem que a crise não foi gerada por problemas de gestão, uma vez que as empresas estão saudáveis e têm caixa, mas pelos efeitos da pandemia. (do Valor Econômico)