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Spread bancário coloca indústria e banco em oposição

25/04/2018

Spread bancário coloca  indústria e banco em oposição


A discussão sobre o spread bancário, como é chamada a diferença entre a taxa de captação e a cobrada nos juros dos financiamentos, coloca em lados opostos as duas principais federações empresariais do país, a Fiesp, representante da indústria, e a Febraban, dos bancos.

Um estudo da Fiesp, obtido pelo Valor Econômico, sustenta que os spreads praticados no Brasil estão entre os mais altos do mundo, o que encarece as operações para o tomador final e estaria retardando a retomada do crescimento econômico.

Na comparação com economias que apresentam metodologia de cálculo similar, o spread no país é 14,4 vezes maior, segundo o estudo. A diferença média entre a taxa de captação e a dos empréstimos é de 1,5 ponto percentual em países como Suécia, Nova Zelândia, Malásia, Chile, Itália e Japão. No Brasil, a média é de 21,5 pontos percentuais.

Em audiência, ontem, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente da Febraban, Murilo Portugal, argumentou que os spreads elevados no país decorrem dos altos custos da intermediação financeira. Segundo ele, dados do Banco Central apontam que 77% do spread bancário são custos como inadimplência (55,7%), impostos (15,6%) e outros. "Para que consigamos reduzir o spread temos de fazer uma reforma no ambiente de crédito", disse.

A principal razão dos spreads e juros elevados, segundo as críticas, é a concentração bancária. Os quatro maiores bancos do país são responsáveis por quase 80% do crédito concedido, o que reduz a concorrência e proporciona grandes lucros aos bancos.

Portugal rebateu o argumento e disse que os setores bancários no Brasil e no mundo são naturalmente concentrados, por serem segmentos intensivos em capital. Por métricas internacionais, afirmou, a concentração "é moderada".

"Por que [os bancos estrangeiros] não atuam nessa área [no Brasil] se a margem é tão boa?", questiona Portugal. (do Valor Econômico)





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