BLOG

Tarifa imposta por Trump é moeda de barganha comercial

09/03/2018

Tarifa imposta por Trump é  moeda de barganha comercial


Donald Trump deixou explícito ontem que a sobretaxa unilateral dos EUA a importações de aço e alumínio não tem nada a ver com segurança nacional, mas é, sim, um meio de pressão sobre os parceiros, que poderá ser bem sucedido.

No teatro armado na Casa Branca, Trump avisou que será "muito flexível" com quem "tratar bem" os EUA. Primeiro, México e Canadá ficam de fora das sobretaxas, desde que aceitem nas próximas semanas assinar um novo acordo do Nafta, como os EUA querem.

Segundo, encarregou seu principal negociador comercial, Robert Lighthizer, de barganhar com países que pedirem exclusão ou modificação das sobretaxas. E praticamente escancarou o que espera de "aliados": se pagarem mais pela defesa ocidental, podem ser retirados da medida unilateral.

Ao mesmo tempo, a União Europeia já se mostra dividida sobre como reagir. O bloco chegou até a mostrar lista de produtos americanos que poderiam ser retaliados. Mas a Alemanha teme uma contra-retaliação de Trump que poderia atingir suas exportações de carros para os EUA.

O governo alemão defende que a reação europeia deve vir não com retaliação, mas sim com uma denúncia na Organização Mundial de Comércio (OMC) contra os EUA, em disputa que dura anos e não tem efeito retrativo.

Vários países têm ameaçado os EUA com retaliação porque não acreditam no argumento de ameaça à segurança nacional dos EUA com o atual volume de importação de aço e alumínio.

Outros são obrigados a justamente usar esse argumento. O Brasil, que tem evitado declarações estridentes, pode pedir nos próximos 15 dias para ser poupado das tarifas alegando que suas exportações de aço bruto atendem indústrias americanas com encomendas da defesa.

Para o secretário-geral da agência da ONU para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Mukhisa Kituyi, países em desenvolvimento já são perdedores. Ele diz que a decisão de Trump deflagrou "vulnerabilidades e ansiedades" em países produtores de outras commodities, como bauxita e minério de ferro, com impacto nos preços, e que eles não têm condições de reagir, conforme disse à Reuters.

Trump sinalizou também que em "algum ponto" pode impor "reciprocidade tarifária". Ou seja, se o carro americano é submetido a tarifa de 25% para entrar na China, o carro chinês deveria pagar a mesma alíquota nos EUA, e não 2,5% como atualmente. Isto também prejudicaria o Brasil.

A Casa Branca cobrou da China que reduza em US$ 100 bilhões o saldo comercial com os EUA, redução acima de 25% do valor total.

Como disse o vice-diretor-geral da OMC, indicado por Trump, Alan Wolff: o sistema multilateral de comércio promovido pela OMC será testado como nunca e não pode mais ser dado como garantido. (do Valor Econômico)





Cursos