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UE prepara retaliação aos Estados Unidos por carros

19/07/2018

UE prepara retaliação aos Estados Unidos por carros


Depois de anunciar medidas para combater efeitos das tarifas dos EUA ao aço, a União Europeia está preparando uma nova lista de produtos americanos para impor tarifas adicionais se uma missão para Washington, na próxima semana, não conseguir persuadir o presidente Trump a desistir das sobretaxas sobre as importações de carros europeus.

“Se os Estados Unidos impuserem as tarifas sobre carros, será uma situação infeliz, mas estamos preparando, entre os países-membros, uma lista de medidas também -- afirmou ontem a comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom.

Segundo pessoas ligadas ao debate, as ações de retaliação seriam tomadas imediatamente.

Quando se encontrar com o presidente Trump, no dia 25 de julho, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker vai levar duas propostas principais de negociação para evitar a escalada das tensões comerciais: uma oferta para discutir a redução das sobretaxas em carros e autopeças entre os grandes exportadores de veículos, numa espécie de acordo plurilateral, e a possibilidade de um acordo limitado de livre comércio, segundo um funcionário da UE.

Trump ameaçou com sobretaxas de 20% sobre veículos e autopeças europeus sob alegação de que as importações afetam a segurança nacional. A União Europeia já precisa lidar com as novas tarifas sobre o aço e o alumínio importados nos Estados Unidos, sob a mesma argumentação de segurança nacional.

A União Europeia não está autorizada pelas regras globais a reduzir em 10% as tarifas sobre os carros americanos, a não ser que tome a mesma medida para todos os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou chegar a um acordo bilateral com os EUA que cubra todo o comércio bilateral.

Já os acordos plurilaterais envolvem um grupo de países e são geralmente limitados a setores específicos de bens e serviços. A OMC permite essas negociações, desde que os benefícios sejam estendidos a todos os membros, dentro do conceito de "nação mais favorecida", presente no comércio internacional.

Todas as vantagens dadas a um membro da OMC devem ser estendidas aos demais. É um acordo mais fácil e rápido de ser negociado que os multilaterais, já que não exigem a aprovação dos 164 países-membros da OMC.

Um acordo plurilateral é uma das muitas ideias consideradas pela Comissão Europeia, segundo Cecilia Malmstrom, que se mostra até cética sobre a possibilidade de dar certo: “ É uma ideia entre muitas. Nem sei se poderia funcionar”.

A comissária afirmou que o objetivo da visita de Juncker é tentar estabelecer um bom relacionamento para ver se a situação pode melhorar e impedir o conflito comercial de avançar.

Os países-membros da UE estão divididos sobre os próximos passos, segundo fontes. A Alemanha, que embarcou 640 mil veículos para os EUA no ano passado, quer negociar uma solução com o governo americano. A França se mostra menos entusiasmada e considera novas tarifas sobre os veículos. As informações são de que eles querem que Juncker ofereça opções a Trump, mas que talvez não seja o momento de negociar.

”Precisamos agora evitar a escalada. Isso está nas mãos dos EUA e de Donald Trump. Atacar aliados e quebrar leis internacionais não é a maneira certa” -- disse, no início do mês, o ministro de Economia da França, Bruno Le Maire. (de O Globo)





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